Capítulo 5 - Aulas

O meu despertador tocou, eram cerca de 6 da manha… Virei-me para o outro lado, não queria acordar, no entanto eu tinha que o fazer. Levantei-me penosamente e vesti o robe. Olhei para o calendário, hoje era dia 24 de Outubro e para mim era o primeiro dia de aulas.
Saí a caminho da casa de banho, entrei e decidi tomar um banho como de costume, ao menos iria acalmar-me. Tomei o banho e enrolada no robe voltei ao quarto. Decidi vestir umas calças de ganga, uma camisola larga castanha e um cachecol que eu tinha tricotado. Por fim, calcei os meus ténis novos e escovei o cabelo. Eram agora 7 horas.
Desci para o andar de baixo e não estava ninguém, achei estranho… Aproximei-me da mesa de jantar e vi um prato de panquecas com um sorriso feito de geleia – a minha mãe ainda pensa que sou criança por vezes – e havia um recado ao pé. Sentei-me na cadeira e li o recado: “Sophy deixo-te aqui o pequeno-almoço. Estamos a remodelar a casa do Will, desejamos-te um bom dia de aulas. Beijinhos. Mãe e Graça”
Deixei o recado em cima da mesa e comecei a comer. Após terminar, levantei a mesa e deixei o prato na pia para lavar. Subi para ir buscar a minha mochila, esta tinha o estojo, uns cadernos e uma garrafa de água. Desci novamente e peguei na chave do carro. Saí a correr notando o enorme frio que fazia. Entrei no carro e comecei a conduzir para a universidade…
            Cheguei aos portões da universidade e desta vez já não iria enganar-me, o parque era para a direita. Dirigi para a direita notando o maior fluxo de tráfego do que da ultima vez que cá tive. Estacionei com cuidado e desliguei o motor. Olhei em redor, e vi que o recinto estava cheio, neste momento senti-me tão nervosa…
 Ok Sophy calma… - Pensei – É só uma universidade, vai correr tudo bem, agora descontrai – disse para mim mesma. Dito isto acalmei-me e olhei para o meu horário, tinha aula às 9 horas, mas primeiro teria de fazer umas coisas: entregar o papel na recepção e ir à biblioteca. Tirei o mapa da mala e apressei-me a decorar todo o caminho, não queria parecer uma pateta e andar a perguntar o caminho a outras pessoas. Após decorar minimamente o mapa peguei na mochila e saí do carro.
            Havia muitas pessoas, todas elas diferentes de mim, como aquela universidade era prestigiada muitas das pessoas que lá andavam deviam ser filhos de milionários ou no mínimo de pessoas com nível de classe média-alta. Uma evidência desse facto era os carros, só havia marcas caras, como: Ferrari, Porches, volvos, BMW, Mercedes e apenas um lamborghini. Em comparação ao meu, bem o meu nem se podia comparar por isso, nem tentei.
Dirigi-me para a recepção e senti-me durante o caminho alvo de olhares, realmente não me adaptaria ali… Não quando todos vestiam-se de determinada maneira e eu de maneira simples e discreta. Entrei na recepção e rapidamente dirigi-me para a Senhora Dulce.
            - Bom dia. – Disse olhando-a
            - Ah bom dia, que deseja? – Perguntou, não se devia lembrar de mim
            - Entregar um papel. – Disse entregando-lhe o papel
Ela leu o papel atentamente e de seguida levantou-se e carimbou-o. Tirou uma fotocópia e entregou-me uma das cópias e uma espécie de cartão.
            - Este é o comprovativo de que tem uma bolsa nesta universidade e este cartão é a sua identificação, a partir de agora, é oficialmente uma aluna da UM. Tenha um bom dia. – Disse entregando-me os papéis e continuou a organizar os papéis.
            Uau, finalmente era uma aluna da universidade… Demorou um ano, mas finalmente consegui… todo o esforço e dedicação que punha na minha dança afinal compensou… E agora poderia ser uma estudante daqui… O papá ficaria tão orgulhoso… – Pensei sentindo-me uma lágrima a sair do olho. Limpei-a rapidamente e dirigi-me para a biblioteca.
            Entrar naquela biblioteca era sempre um misto de sensações, por um lado era felicidade pois nunca tinha entrado numa tão grande, por outro, era assustadora. Vi o pequeno senhor – sim pequeno – na secretária e dirigi-me até lá.
            - Bom dia. – Disse para o senhor.
Este olhou para mim fixamente – quase me arrepiei de susto – e continuou a olhar durante uns bons segundos até que finalmente abriu a boca:
            - Quer os livros não é? – Perguntou
            - Ah sim, por favor. – Disse seguindo-o para uma mesa
Fui atrás do senhor, este encaminhou-me para uma mesa e nela estava uns bons 9 livros – bem, livros não, calhamaços – fiquei parada a olhar para eles, nunca pensei que fossem tantos.
            - Bem, estão aqui todos os que precisas, agora leva-os que estão a ocupar uma mesa. – Disse o senhor retirando-se para a secretária de novo.
Abri a mochila e comecei a meter alguns livros lá dentro, já tinha posto o segundo livro quando vi a mão de alguém pegar no 3 livro e a entregar-mo. Levantei o olhar e vi-o: era William.
            Agarrei no livro e enfiei-o rapidamente dentro da mochila. Não queria ajuda dele, não queria sequer olhá-lo nos olhos…
            - Olá Sophia, já não te lembras de mim? – Perguntou a sorrir para mim enquanto me entregava o quarto livro. Claro que me lembrava dele, é complicado esquecer uma pessoa que está sempre a levar a nossa família para casa dele…
            - Oi, sim lembro. – Respondi secamente enquanto tirava o livro da sua mão e o punha na mala.
            - Não sabia que estudavas aqui, foi uma enorme surpresa. – Disse rindo, parecia que se ria de uma piada pessoal…
            - Pois, mas estudo. – Respondi de maneira seca, mas mesmo assim ele não saía dali…
            - Não queres ajuda com isso, são bastante pesados… – Perguntou com uma voz preocupada…
Não fui capaz de responder-lhe, aquela voz causava-me arrepios, neste momento estava com arrepios sempre que ele falava… era horrível…
            - Sophy estás a tremer de frio! Não trouxeste casaco? – Perguntou seriamente colocando a mão no meu queixo obrigando-me a olhar para ele… Aqueles olhos verdes eram penetrantes, pareciam que nos liam a alma….
            - Sophy, o casaco? – Perguntou novamente
Parecia que tinha acordado de um transe, rapidamente ouvi o que ele disse… O meu casaco, olhei para a mochila e vi que me tinha esquecido do casaco… Levei a mão à testa e sem querer saiu-me:
            - Ah o casaco porra! – Disse
Ele começou a rir-se, parecia que tinha achado piada, mas eu não percebi ao quê… Se ele estivesse a rir-se de mim havia de ver, mas ele não fazia mais nada se não rir-se como tal, pensei que fosse de mim…
            - Não é preciso rires-te do esquecimento dos outros. – Disse secamente continuando a arrumar os livros mais rapidamente.
Olhou seriamente para mim mas depois esboçou um sorriso…
            - Não estou a rir de ti, Sophy tonta, ri devido à tua reacção. Por norma não és tão expressiva. – Explicou-se com um sorriso nos lábios.
Olhei de novo para ele e rapidamente comecei a arrumar o resto dos livros, não queria olhar para ele de novo, não podia deixar que aqueles olhos me prendessem…
            - No entanto não podes andar por aí sem casaco. – Disse com um olhar que parecia deliberar algo...
Mal estava eu a arrumar os livros quando senti um peso nas minhas costas, olhei para trás e vi que o William tinha tirado o seu casaco e colocado nas minhas costas… Corei de imediato… nunca ninguém me tinha feito isto, nunca na minha vida… voltei a enterrar o olhar nos livros…
            - Pronto, assim não vais andar por aí com arrepios o dia todo. – Disse sentindo-se satisfeito com algo.
            - Obrigada… – Murmurei baixinho.
            - Ora essa, nunca se pode deixar uma rapariga apanhar frio, principalmente uma rapariga como tu Sophia, pareces tão frágil… – Respondeu tristemente.
            - Eu não sou frágil, sou muito forte até! – Quase gritei. Não sabia o que se passava, mas eu não era frágil, nunca ninguém me poderia chamar de frágil. Podia ser muita coisa, mas frágil é que não era!
Ele começou a rir-se, agora estava a irritar-me… Comecei a despir o seu casaco, pus o último livro na mochila. Fechei-a e pu-la às costas – estava pesada – comecei a dirigir-me para a porta, mas senti uns passos atrás de mim que logo se aproximaram. Ali estava ele de novo ao meu lado a seguir-me.
            - Sophia esses livros são pesados, deixa alguns na biblioteca, se não vais chegar a casa com uma dor de costas insuportável. – Disse rispidamente, mas eu não lhe daria ouvidos.
            - Preciso deles hoje. – Disse. Mas porque é que eu continuava a falar? Não me conseguia calar ao pé dele ou algo do género?
            - Mas se for necessário levo-os hoje à tua casa, não é preciso levares todos às tuas costas. – Disse com uma voz preocupada.
Ignorei e comecei a andar em direcção à minha sala de aula, isso pensava eu até ele me fazer uma pergunta:
            - Vais ter que aula? – Perguntou parado a alguns metros de mim
Finalmente percebeu que eu não o queria ali a seguir-me e decidiu parar de me seguir – Pensei toda feliz.
            - Podes dizer-me por favor onde é a tua aula? – Perguntou com uma voz carinhosa… Aquele tipo de voz de cãozinho ferido que nos leva a fazer tudo o que ele quer… Suspirei e respondi:
            - Vou ter Historia da dança I. – Disse virando-me para ele.
Ele sorriu e levou a mão à boca para disfarçar. Aclarou a voz e depois muito calmamente disse-me:
            - Sophia, essa disciplina é para o outro lado. – Disse apontando para o caminho certo.
Fiquei vermelha que nem um tomate, rapidamente passei por ele e segui o caminho certo, com ele sempre ao meu lado… mas porque é que ele segue-me…?
            - Hum…não tens mais nada que fazer? – Perguntei, farta que ele me seguisse
            - Claro que tenho minha Sophia, eu vou ter aula também, o que acontece é que é no mesmo andar que tu, mais concretamente no auditório ao lado do teu. – Disse enquanto olhava para mim com um sorriso.
            Finalmente o meu auditório era mesmo em frente, e finalmente iria ver-me livre do William, já não o suportava… Dirigi-me para a porta mas uma mão agarrou-me no braço e delicadamente puxou-me.
            - Mas onde pensas que vais? – Perguntou com um sorriso
Mas que pergunta mais parva, o que eu deveria perguntar é por que motivo é que ele me agarrou assim… Eu podia ter-me desequilibrado, mas afinal quem é que ele pensa que é…
            - Como é óbvio vou para a aula. – Respondi secamente. Ia para me virar de novo, mas novamente puxou-me.
- Importas-te de me largar? – Perguntei já chateada, mas ele devia achar piada a isso, pois ria ternamente.
- Só te largo quando me fizeres o meu favor? – Sorriu para mim
- Desculpa, teu favor? – Perguntei incrédula, eu não lhe devia nada!
- Sim, deves-me um favor porque se não, mal chegarias a encontrar o teu auditório, e como tal deves-me um almoço. – Disse rindo e piscando-me o olho.
Desta é que eu não estava à espera, claro que eu encontraria a minha sala, a culpa é que era dele, se não estivesse sempre a seguir-me eu não teria errado no caminho, por tanto eu não lhe devia nada…
            - Não te devo nada. – Disse soltando o meu braço do dele.
            - Ok. – Disse rindo para mim – Então encontramo-nos às 13 na cantina da escola, se a encontrares. – Disse piscando o olho e entrou na sala ao lado.
            Entrei dentro do auditório, dirigi-me para uma das filas do meio e sentei-me amuada… Eu não queria acreditar que aquele…aquele imbecil tinha dito aquilo… Claro que eu encontraria a cantina! Ele não é o único a conseguir encontrar as coisas nesta faculdade, e eu iria mostrar-lhe… Detive-me… Então eu ia mesmo encontrar-me com ele para almoçar? – Interroguei-me a mim mesma. Arrepiei-me com aquele pensamento, então decidi parar de pensar e concentrar-me na aula que estaria para vir…
            Abri um caderno, abri o livro e preparei o estojo. Aguardei a entrada do professor, e enquanto isso observei a minha turma: era composta pelo menos por umas 66 pessoas, havia mais raparigas do que rapazes, mas todos eram lindos e vistosos, eu infelizmente iria destacar-me… mas pela negativa… Suspirei de tristeza e logo de seguida ouvi o professor a entrar e dediquei-me à aula.
            A aula durou cerca de 3:30 horas, no geral foi bastante interessante, não sabia que a dança tinha tanta história para aprender. Arrumei as minhas coisas, contente por ter apanhado muita matéria e de a ter conseguido escrever, mas teria de ir comprar um gravador, pois muita coisa que o professor referiu também seria igualmente importante, mas era impossível apanhar tudo…
            Saí do auditório e olhei para o relógio, eram agora 12:45 horas… Infelizmente eram quase 13 horas, e eu ainda não sabia se deveria ir almoçar com o William ou não… Por um lado, eu não queria ir porque sempre que estava ao pé dele sentia-me inquieta, mas pelo outro, a vovó não ficaria feliz se soubesse que deixei o seu neto plantado na cantina… Suspirei e encaminhei-me para a cantina.
            Percorri os corredores e entrei na cantina, esta era um espaço amplo, com paredes amarelas e muitas mesas, enquanto percorria as mesas detive-me na mesa onde o William estava sentado já à minha espera com dois tabuleiros. Nunca me detive a olhar para o William atentamente, mas agora que estava longe podia analisá-lo: envergava uma camisola cinzenta de linho, esta realçava-lhe os peitorais e os músculos, tinha umas calças de ganga e uns ténis azuis e por fim, na minha cadeira tinha o seu casaco castanho de pele… Aproximei-me da mesa e fiquei de pé a olhar para o chão.
            - Porque não te sentas aqui comigo? – Perguntou sorrindo e apontando para a cadeira.
Retirei a mochila dos meus ombros e pousei-a no chão. Sentei-me cuidadosamente na cadeira e olhei para o chão.
            - Trouxe-te já o tabuleiro, não sabia o que escolher, por isso trouxe de tudo um pouco. – Disse sorrindo e empurrando um tabuleiro para mim. Olhei para o tabuleiro, este continha salada russa, pizza, um sumo de maça, uma garrafa de água e uma fatia de tarte de maça.
            - Obrigada. – Murmurei e continuava a olhar para o tabuleiro. Esperei atentamente resposta, o que não demorou muito a acontecer.
            - Ora não tens de quê, queria prevenir-me, pois se não encontrasses a cantina provavelmente já não haveria comida. – Disse sorrindo para mim
Corei de raiva, este aqui pensava que era engraçadinho, pois eu não achava nada, e mais uma vez eu encontraria a cantina!
            - Eu encontrei a cantina rapidamente, nem 1 minuto demorei a encontra-la, por isso não era necessário que fosses buscar o meu tabuleiro. – Respondi rapidamente. Nunca tinha falado tanto com alguém, durante tanto tempo…
            - Desculpa então, não era minha intenção. Então não comes? Olha que vai arrefecer. – Disse calmamente a olhar para mim.
O seu olhar era tão quente, tão hipnotizante… Este rapaz tanto era capaz de me irritar como de me por calma no instante a seguir.
            Comecei a comer a salada russa, a seguir bebi o meu sumo de maça e por fim comi a minha tarte de maça. A comida daqui era boa, mas não tão boa como a da minha mãe ou da minha avó, ou melhor, avó dele.
Parei de comer e vi que ele já tinha terminado há muito tempo, agora estava sempre a olhar para mim fixamente. Senti-me desconfortável e desviei o olhar.
            - Então que estás a achar da faculdade até agora? – Perguntou recostando-se na cadeira olhando para mim.
Eu achava que tinha corrido bem até agora, mas espera… Como assim até agora? Ele sabia que eu só andava aqui a partir de hoje?
            - Como sabes que só ando aqui há pouco tempo? – Perguntei desconfiada
            - Ah…Sei porque normalmente no primeiro dia todos se perdem a caminho das aulas, por isso calculei que fosse o teu primeiro dia, mas não me respondeste. – Disse olhando para mim
            - Está bem. – Respondi apenas.
            - Muito bem, estás no curso de dança certo? – Perguntou curioso
            - Sim. – Respondi apenas.
            - Porque escolheste esse curso? – Perguntou inclinando-se na minha direcção.
Isto mais parecia um interrogatório, ele fazia as perguntas demasiado depressa para uma pessoa pensar sequer…
            - Porque sempre gostei… Alem que o meu pai sempre me chamou de sua “pequena bailarina”. – Respondi sem pensar… Nunca tinha dito isto a ninguém…Mas o que é que este homem fazia…
            - Ah lamento… – Disse arrependido.
            - Não faz mal. Tu estás em que curso? – Perguntei
Ele riu-se, no entanto depois o seu semblante tornou-se sério, como se tivesse a analisar algo vendo os prós e os contras…
            - Faço o doutoramento em psiquiatria. – Respondeu
Arregalei os olhos, isso porque nunca pensei que uma pessoa do tipo dele se interessasse por psicologia.
            - Hum ok. Estás a gostar? – Perguntei por cortesia
Ele ficou admirado, como se não tivesse à espera de algo. No entanto recuperou o seu bom humor e disse:
            - Bem, é interessante de certa maneira, mas muito trabalhoso. – Disse olhando para mim.
Escondi o rosto ao olhar para os meus pés, ele certamente reparou nisso pois perguntou-me:
            - Porque escondes o rosto sempre? – Perguntou meigo puxando o meu queixo para cima deixando os nossos olhares se cruzarem… Eu não conseguia formular nenhum pensamento com aqueles olhos, mas felizmente a campainha da universidade tocou e eu desprendi-me daqueles olhos penetrantes.
Ele voltou a recostar-se na cadeira e disse:
            - Ora está na hora de ir. Bem, obrigada por me teres feito companhia Sophia, detesto almoçar sozinho. – Disse sorrindo dando-me um beijo na bochecha e levantou-se.
Fiquei por uns instantes imóvel e incapaz de me mexer. Mas depois soube que teria de me levantar. Levantei-me da cadeira e coloquei a mochila às costas. O William retirou o casaco da minha cadeira e colocou-o no meu ombro esquerdo.
            - Vens pelo mesmo sitio que eu? – Perguntou sorrindo
Abanei a cabeça que sim, lembrando-me que teria uma aula no mesmo auditório que tinha tido antes. Dirigimo-nos pelos corredores, muitas pessoas olharam para mim com admiração.
O William levou-me de novo até à minha aula e despediu-se de mim:
- Bem, tenho que ir. Boa aula Sophia e não te percas pelos corredores. – Disse e piscou-me o olho ao entrar na sala dele mesmo ao lado na minha.

Acenei a mão dizendo-lhe adeus e entrei dentro da sala sentando-me na minha cadeira do costume. Tirei o casaco dele do ombro e pu-lo na cadeira. Durante uns instantes fiquei imóvel, mas logo de seguida reagi ao ver a professora a entrar na aula. Quando esta terminou saí, com esperança de lhe devolver o casaco, no entanto era uma esperança vã, pois durante o resto do dia nunca mais encontrei o William pelos mesmos corredores que eu.

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