O meu despertador tocou, eram cerca de 6
da manha… Virei-me para o outro lado, não queria acordar, no entanto eu tinha
que o fazer. Levantei-me penosamente e vesti o robe. Olhei para o calendário,
hoje era dia 24 de Outubro e para mim era o primeiro dia de aulas.
Saí a caminho da casa de banho, entrei e
decidi tomar um banho como de costume, ao menos iria acalmar-me. Tomei o banho
e enrolada no robe voltei ao quarto. Decidi vestir umas calças de ganga, uma
camisola larga castanha e um cachecol que eu tinha tricotado. Por fim, calcei
os meus ténis novos e escovei o cabelo. Eram agora 7 horas.
Desci para o andar de baixo e não estava
ninguém, achei estranho… Aproximei-me da mesa de jantar e vi um prato de
panquecas com um sorriso feito de geleia – a minha mãe ainda pensa que sou
criança por vezes – e havia um recado ao pé. Sentei-me na cadeira e li o recado: “Sophy deixo-te aqui o pequeno-almoço.
Estamos a remodelar a casa do Will, desejamos-te um bom dia de aulas.
Beijinhos. Mãe e Graça”
Deixei o recado em cima da mesa e comecei a comer. Após terminar,
levantei a mesa e deixei o prato na pia para lavar. Subi para ir buscar a minha
mochila, esta tinha o estojo, uns cadernos e uma garrafa de água. Desci
novamente e peguei na chave do carro. Saí a correr notando o enorme frio que
fazia. Entrei no carro e comecei a conduzir para a universidade…
Cheguei aos
portões da universidade e desta vez já não iria enganar-me, o parque era para a
direita. Dirigi para a direita notando o maior fluxo de tráfego do que da
ultima vez que cá tive. Estacionei com cuidado e desliguei o motor. Olhei em
redor, e vi que o recinto estava cheio, neste momento senti-me tão nervosa…
Ok Sophy calma… - Pensei –
É só uma universidade, vai correr tudo bem, agora descontrai – disse para mim
mesma. Dito isto acalmei-me e olhei para o meu horário, tinha aula às 9 horas,
mas primeiro teria de fazer umas coisas: entregar o papel na recepção e ir à
biblioteca. Tirei o mapa da mala e apressei-me a decorar todo o caminho, não
queria parecer uma pateta e andar a perguntar o caminho a outras pessoas. Após
decorar minimamente o mapa peguei na mochila e saí do carro.
Havia muitas
pessoas, todas elas diferentes de mim, como aquela universidade era prestigiada
muitas das pessoas que lá andavam deviam ser filhos de milionários ou no mínimo
de pessoas com nível de classe média-alta. Uma evidência desse facto era os
carros, só havia marcas caras, como: Ferrari, Porches, volvos, BMW, Mercedes e
apenas um lamborghini. Em comparação ao meu, bem o meu nem se podia comparar
por isso, nem tentei.
Dirigi-me para a recepção e senti-me durante o caminho alvo de
olhares, realmente não me adaptaria ali… Não quando todos vestiam-se de
determinada maneira e eu de maneira simples e discreta. Entrei na recepção e
rapidamente dirigi-me para a Senhora Dulce.
- Bom dia. –
Disse olhando-a
- Ah bom dia, que
deseja? – Perguntou, não se devia lembrar de mim
- Entregar um
papel. – Disse entregando-lhe o papel
Ela leu o papel atentamente e de seguida levantou-se e carimbou-o.
Tirou uma fotocópia e entregou-me uma das cópias e uma espécie de cartão.
- Este é o
comprovativo de que tem uma bolsa nesta universidade e este cartão é a sua
identificação, a partir de agora, é oficialmente uma aluna da UM. Tenha um bom
dia. – Disse entregando-me os papéis e continuou a organizar os papéis.
Uau, finalmente
era uma aluna da universidade… Demorou um ano, mas finalmente consegui… todo o
esforço e dedicação que punha na minha dança afinal compensou… E agora poderia
ser uma estudante daqui… O papá ficaria tão orgulhoso… – Pensei sentindo-me uma
lágrima a sair do olho. Limpei-a rapidamente e dirigi-me para a biblioteca.
Entrar naquela
biblioteca era sempre um misto de sensações, por um lado era felicidade pois
nunca tinha entrado numa tão grande, por outro, era assustadora. Vi o pequeno
senhor – sim pequeno – na secretária e dirigi-me até lá.
- Bom dia. –
Disse para o senhor.
Este olhou para mim fixamente – quase me arrepiei de susto – e
continuou a olhar durante uns bons segundos até que finalmente abriu a boca:
- Quer os livros
não é? – Perguntou
- Ah sim, por
favor. – Disse seguindo-o para uma mesa
Fui atrás do senhor, este encaminhou-me para uma mesa e nela
estava uns bons 9 livros – bem, livros não, calhamaços – fiquei parada a olhar
para eles, nunca pensei que fossem tantos.
- Bem, estão aqui
todos os que precisas, agora leva-os que estão a ocupar uma mesa. – Disse o
senhor retirando-se para a secretária de novo.
Abri a mochila e comecei a meter alguns livros lá dentro, já tinha
posto o segundo livro quando vi a mão de alguém pegar no 3 livro e a
entregar-mo. Levantei o olhar e vi-o: era William.
Agarrei no livro
e enfiei-o rapidamente dentro da mochila. Não queria ajuda dele, não queria
sequer olhá-lo nos olhos…
- Olá Sophia, já
não te lembras de mim? – Perguntou a sorrir para mim enquanto me entregava o
quarto livro. Claro que me lembrava dele, é complicado esquecer uma pessoa que
está sempre a levar a nossa família para casa dele…
- Oi, sim lembro.
– Respondi secamente enquanto tirava o livro da sua mão e o punha na mala.
- Não sabia que
estudavas aqui, foi uma enorme surpresa. – Disse rindo, parecia que se ria de
uma piada pessoal…
- Pois, mas
estudo. – Respondi de maneira seca, mas mesmo assim ele não saía dali…
- Não queres
ajuda com isso, são bastante pesados… – Perguntou com uma voz preocupada…
Não fui capaz de responder-lhe, aquela voz causava-me arrepios,
neste momento estava com arrepios sempre que ele falava… era horrível…
- Sophy estás a
tremer de frio! Não trouxeste casaco? – Perguntou seriamente colocando a mão no
meu queixo obrigando-me a olhar para ele… Aqueles olhos verdes eram
penetrantes, pareciam que nos liam a alma….
- Sophy, o
casaco? – Perguntou novamente
Parecia que tinha acordado de um transe, rapidamente ouvi o que
ele disse… O meu casaco, olhei para a mochila e vi que me tinha esquecido do
casaco… Levei a mão à testa e sem querer saiu-me:
- Ah o casaco
porra! – Disse
Ele começou a rir-se, parecia que tinha achado piada, mas eu não
percebi ao quê… Se ele estivesse a rir-se de mim havia de ver, mas ele não
fazia mais nada se não rir-se como tal, pensei que fosse de mim…
- Não é preciso rires-te
do esquecimento dos outros. – Disse secamente continuando a arrumar os livros
mais rapidamente.
Olhou seriamente para mim mas depois esboçou um sorriso…
- Não estou a rir
de ti, Sophy tonta, ri devido à tua reacção. Por norma não és tão expressiva. –
Explicou-se com um sorriso nos lábios.
Olhei de novo para ele e rapidamente comecei a arrumar o resto dos
livros, não queria olhar para ele de novo, não podia deixar que aqueles olhos
me prendessem…
- No entanto não
podes andar por aí sem casaco. – Disse com um olhar que parecia deliberar
algo...
Mal estava eu a arrumar os livros quando senti um peso nas minhas
costas, olhei para trás e vi que o William tinha tirado o seu casaco e colocado
nas minhas costas… Corei de imediato… nunca ninguém me tinha feito isto, nunca
na minha vida… voltei a enterrar o olhar nos livros…
- Pronto, assim
não vais andar por aí com arrepios o dia todo. – Disse sentindo-se satisfeito
com algo.
- Obrigada… –
Murmurei baixinho.
- Ora essa, nunca
se pode deixar uma rapariga apanhar frio, principalmente uma rapariga como tu
Sophia, pareces tão frágil… – Respondeu tristemente.
- Eu não sou
frágil, sou muito forte até! – Quase gritei. Não sabia o que se passava, mas eu
não era frágil, nunca ninguém me poderia chamar de frágil. Podia ser muita
coisa, mas frágil é que não era!
Ele começou a rir-se, agora estava a irritar-me… Comecei a despir
o seu casaco, pus o último livro na mochila. Fechei-a e pu-la às costas –
estava pesada – comecei a dirigir-me para a porta, mas senti uns passos atrás
de mim que logo se aproximaram. Ali estava ele de novo ao meu lado a seguir-me.
- Sophia esses
livros são pesados, deixa alguns na biblioteca, se não vais chegar a casa com
uma dor de costas insuportável. – Disse rispidamente, mas eu não lhe daria
ouvidos.
- Preciso deles
hoje. – Disse. Mas porque é que eu continuava a falar? Não me conseguia calar
ao pé dele ou algo do género?
- Mas se for
necessário levo-os hoje à tua casa, não é preciso levares todos às tuas costas.
– Disse com uma voz preocupada.
Ignorei e comecei a andar em direcção à minha sala de aula, isso
pensava eu até ele me fazer uma pergunta:
- Vais ter que
aula? – Perguntou parado a alguns metros de mim
Finalmente percebeu que eu não o queria ali a seguir-me e decidiu
parar de me seguir – Pensei toda feliz.
- Podes dizer-me
por favor onde é a tua aula? – Perguntou com uma voz carinhosa… Aquele tipo de
voz de cãozinho ferido que nos leva a fazer tudo o que ele quer… Suspirei e
respondi:
- Vou ter
Historia da dança I. – Disse virando-me para ele.
Ele sorriu e levou a mão à boca para disfarçar. Aclarou a voz e
depois muito calmamente disse-me:
- Sophia, essa
disciplina é para o outro lado. – Disse apontando para o caminho certo.
Fiquei vermelha que nem um tomate, rapidamente passei por ele e
segui o caminho certo, com ele sempre ao meu lado… mas porque é que ele
segue-me…?
- Hum…não tens
mais nada que fazer? – Perguntei, farta que ele me seguisse
- Claro que tenho
minha Sophia, eu vou ter aula também, o que acontece é que é no mesmo andar que
tu, mais concretamente no auditório ao lado do teu. – Disse enquanto olhava
para mim com um sorriso.
Finalmente o meu
auditório era mesmo em frente, e finalmente iria ver-me livre do William, já
não o suportava… Dirigi-me para a porta mas uma mão agarrou-me no braço e
delicadamente puxou-me.
- Mas onde pensas
que vais? – Perguntou com um sorriso
Mas que pergunta mais parva, o que eu deveria perguntar é por que
motivo é que ele me agarrou assim… Eu podia ter-me desequilibrado, mas afinal
quem é que ele pensa que é…
- Como é óbvio
vou para a aula. – Respondi secamente. Ia para me virar de novo, mas novamente
puxou-me.
- Importas-te de me largar? – Perguntei
já chateada, mas ele devia achar piada a isso, pois ria ternamente.
- Só te largo quando me fizeres o meu
favor? – Sorriu para mim
- Desculpa, teu favor? – Perguntei
incrédula, eu não lhe devia nada!
- Sim, deves-me um favor porque se não,
mal chegarias a encontrar o teu auditório, e como tal deves-me um almoço. –
Disse rindo e piscando-me o olho.
Desta é que eu não estava à espera, claro que eu encontraria a
minha sala, a culpa é que era dele, se não estivesse sempre a seguir-me eu não
teria errado no caminho, por tanto eu não lhe devia nada…
- Não te devo
nada. – Disse soltando o meu braço do dele.
- Ok. – Disse
rindo para mim – Então encontramo-nos às 13 na cantina da escola, se a
encontrares. – Disse piscando o olho e entrou na sala ao lado.
Entrei dentro do
auditório, dirigi-me para uma das filas do meio e sentei-me amuada… Eu não
queria acreditar que aquele…aquele imbecil tinha dito aquilo… Claro que eu
encontraria a cantina! Ele não é o único a conseguir encontrar as coisas nesta
faculdade, e eu iria mostrar-lhe… Detive-me… Então eu ia mesmo encontrar-me com
ele para almoçar? – Interroguei-me a mim mesma. Arrepiei-me com aquele
pensamento, então decidi parar de pensar e concentrar-me na aula que estaria
para vir…
Abri um caderno,
abri o livro e preparei o estojo. Aguardei a entrada do professor, e enquanto
isso observei a minha turma: era composta pelo menos por umas 66 pessoas, havia
mais raparigas do que rapazes, mas todos eram lindos e vistosos, eu
infelizmente iria destacar-me… mas pela negativa… Suspirei de tristeza e logo
de seguida ouvi o professor a entrar e dediquei-me à aula.
A aula durou
cerca de 3:30 horas, no geral foi bastante interessante, não sabia que a dança
tinha tanta história para aprender. Arrumei as minhas coisas, contente por ter
apanhado muita matéria e de a ter conseguido escrever, mas teria de ir comprar
um gravador, pois muita coisa que o professor referiu também seria igualmente
importante, mas era impossível apanhar tudo…
Saí do auditório
e olhei para o relógio, eram agora 12:45 horas… Infelizmente eram quase 13
horas, e eu ainda não sabia se deveria ir almoçar com o William ou não… Por um
lado, eu não queria ir porque sempre que estava ao pé dele sentia-me inquieta,
mas pelo outro, a vovó não ficaria feliz se soubesse que deixei o seu neto
plantado na cantina… Suspirei e encaminhei-me para a cantina.
Percorri os
corredores e entrei na cantina, esta era um espaço amplo, com paredes amarelas
e muitas mesas, enquanto percorria as mesas detive-me na mesa onde o William
estava sentado já à minha espera com dois tabuleiros. Nunca me detive a olhar
para o William atentamente, mas agora que estava longe podia analisá-lo:
envergava uma camisola cinzenta de linho, esta realçava-lhe os peitorais e os
músculos, tinha umas calças de ganga e uns ténis azuis e por fim, na minha
cadeira tinha o seu casaco castanho de pele… Aproximei-me da mesa e fiquei de
pé a olhar para o chão.
- Porque não te
sentas aqui comigo? – Perguntou sorrindo e apontando para a cadeira.
Retirei a mochila dos meus ombros e pousei-a no chão. Sentei-me
cuidadosamente na cadeira e olhei para o chão.
- Trouxe-te já o
tabuleiro, não sabia o que escolher, por isso trouxe de tudo um pouco. – Disse
sorrindo e empurrando um tabuleiro para mim. Olhei para o tabuleiro, este
continha salada russa, pizza, um sumo de maça, uma garrafa de água e uma fatia
de tarte de maça.
- Obrigada. –
Murmurei e continuava a olhar para o tabuleiro. Esperei atentamente resposta, o
que não demorou muito a acontecer.
- Ora não tens de
quê, queria prevenir-me, pois se não encontrasses a cantina provavelmente já
não haveria comida. – Disse sorrindo para mim
Corei de raiva, este aqui pensava que era engraçadinho, pois eu
não achava nada, e mais uma vez eu encontraria a cantina!
- Eu encontrei a
cantina rapidamente, nem 1 minuto demorei a encontra-la, por isso não era
necessário que fosses buscar o meu tabuleiro. – Respondi rapidamente. Nunca
tinha falado tanto com alguém, durante tanto tempo…
- Desculpa então,
não era minha intenção. Então não comes? Olha que vai arrefecer. – Disse
calmamente a olhar para mim.
O seu olhar era tão quente, tão hipnotizante… Este rapaz tanto era
capaz de me irritar como de me por calma no instante a seguir.
Comecei a comer a
salada russa, a seguir bebi o meu sumo de maça e por fim comi a minha tarte de
maça. A comida daqui era boa, mas não tão boa como a da minha mãe ou da minha
avó, ou melhor, avó dele.
Parei de comer e vi que ele já tinha terminado há muito tempo,
agora estava sempre a olhar para mim fixamente. Senti-me desconfortável e
desviei o olhar.
- Então que estás
a achar da faculdade até agora? – Perguntou recostando-se na cadeira olhando
para mim.
Eu achava que tinha corrido bem até agora, mas espera… Como assim
até agora? Ele sabia que eu só andava aqui a partir de hoje?
- Como sabes que
só ando aqui há pouco tempo? – Perguntei desconfiada
- Ah…Sei porque
normalmente no primeiro dia todos se perdem a caminho das aulas, por isso
calculei que fosse o teu primeiro dia, mas não me respondeste. – Disse olhando
para mim
- Está bem. –
Respondi apenas.
- Muito bem,
estás no curso de dança certo? – Perguntou curioso
- Sim. – Respondi
apenas.
- Porque
escolheste esse curso? – Perguntou inclinando-se na minha direcção.
Isto mais parecia um interrogatório, ele fazia as perguntas
demasiado depressa para uma pessoa pensar sequer…
- Porque sempre
gostei… Alem que o meu pai sempre me chamou de sua “pequena bailarina”. –
Respondi sem pensar… Nunca tinha dito isto a ninguém…Mas o que é que este homem
fazia…
- Ah lamento… –
Disse arrependido.
- Não faz mal. Tu
estás em que curso? – Perguntei
Ele riu-se, no entanto depois o seu semblante tornou-se sério,
como se tivesse a analisar algo vendo os prós e os contras…
- Faço o
doutoramento em psiquiatria. – Respondeu
Arregalei os olhos, isso porque nunca pensei que uma pessoa do
tipo dele se interessasse por psicologia.
- Hum ok. Estás a
gostar? – Perguntei por cortesia
Ele ficou admirado, como se não tivesse à espera de algo. No
entanto recuperou o seu bom humor e disse:
- Bem, é
interessante de certa maneira, mas muito trabalhoso. – Disse olhando para mim.
Escondi o rosto ao olhar para os meus pés, ele certamente reparou
nisso pois perguntou-me:
- Porque escondes
o rosto sempre? – Perguntou meigo puxando o meu queixo para cima deixando os
nossos olhares se cruzarem… Eu não conseguia formular nenhum pensamento com
aqueles olhos, mas felizmente a campainha da universidade tocou e eu
desprendi-me daqueles olhos penetrantes.
Ele voltou a recostar-se na cadeira e disse:
- Ora está na
hora de ir. Bem, obrigada por me teres feito companhia Sophia, detesto almoçar
sozinho. – Disse sorrindo dando-me um beijo na bochecha e levantou-se.
Fiquei por uns instantes imóvel e incapaz de me mexer. Mas depois
soube que teria de me levantar. Levantei-me da cadeira e coloquei a mochila às
costas. O William retirou o casaco da minha cadeira e colocou-o no meu ombro
esquerdo.
- Vens pelo mesmo
sitio que eu? – Perguntou sorrindo
Abanei a cabeça que sim, lembrando-me que teria uma aula no mesmo
auditório que tinha tido antes. Dirigimo-nos pelos corredores, muitas pessoas
olharam para mim com admiração.
O William levou-me de novo até à minha aula e despediu-se de mim:
- Bem, tenho que ir. Boa aula Sophia e não
te percas pelos corredores. – Disse e piscou-me o olho ao entrar na sala dele
mesmo ao lado na minha.
Acenei a mão dizendo-lhe adeus e entrei
dentro da sala sentando-me na minha cadeira do costume. Tirei o casaco dele do
ombro e pu-lo na cadeira. Durante uns instantes fiquei imóvel, mas logo de
seguida reagi ao ver a professora a entrar na aula. Quando esta terminou saí,
com esperança de lhe devolver o casaco, no entanto era uma esperança vã, pois
durante o resto do dia nunca mais encontrei o William pelos mesmos corredores
que eu.
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