No meio do nevoeiro
avistei umas luzes, estas estavam cada vez mais perto, dei um passo atrás,
consegui distinguir que era um carro, talvez fosse percorrer a minha rua
apenas. No entanto, esta luz continuava a aproximar-se cada vez mais de mim,
até que parou junto à berma do passeio.
Estava demasiado escuro
para ver o condutor, mas fosse quem fosse tinha um bom carro, reconheci que era
um lamborghini, não sabia o modelo, mas era preto, um preto bastante brilhante.
Ouvi o vidro do meu lado a descer, e uma voz saiu de lá:
- Bom dia Sophia,
tudo bem? – Disse William no lugar do condutor a espreitar para a janela do meu
lado.
Fiquei atónica, mas o que é que ele fazia aqui….
- Olá. – Disse
apenas.
- Estás a caminho
da faculdade? – Perguntou com um sorriso nos lábios.
Bem, eu tentava ir… Mas o carro estava decidido a não colaborar,
provavelmente teria de chamar um táxi. Só esperava que não fosse muito caro…
- Hum… sim, ou
melhor, estou a tentar. - Murmurei baixinho.
- Como assim
tentar? – Disse desligando o carro e saindo em minha direcção.
O William estava vestido com umas calças de ganga escuras, uma
camisola de malha cor de marfim e um casaco preto. Aproximou-se de mim, e nunca
tinha reparado que ele era tão alto… Talvez tivesse 1,87m.
- Hum… O meu
carro não pega. – Respondi olhando para os meus pés.
- Posso vê-lo? –
Perguntou sério.
Levei-o para ao pé do meu carro. Ele tentou pô-lo a funcionar mas
não conseguiu, quis espreitar o motor e não detectou o problema, isso tudo
enquanto eu o observava com atenção. Entregou-me novamente as chaves e disse:
- Lamento mas não
encontro o problema. – Disse com voz triste.
- Bem não faz
mal, eu cá me arranjo. – Disse voltando-me em direcção à minha casa para chamar
um táxi. Estava a começar a caminhar quando fui impedida por uma mão que me
agarrou no braço.
- Onde pensas que
vais? – Perguntou William confuso.
- Para casa,
chamar um táxi. – Disse parecendo muito óbvia.
Ele riu-se, depois começou a puxar-me delicadamente para o carro
dele. Protestei um pouco, pois não queria aceitar para onde ele me levava…
Estava com medo.
- Larga-me! Que
vais fazer? – Perguntei com a voz a falhar.
Ele largou-me, acho que percebeu que me estava a assustar.
Virou-se para mim encontrando o meu olhar.
- Desculpa, não
te queria assustar. – Disse com voz meiga. – Mas nem penses que vais de táxi.
Vens comigo. – Disse imediatamente enquanto me abria a porta do meu lado.
- Entra Sophia. –
Disse com um sorriso meigo no rosto.
Eu não queria entrar, não podia aceitar boleia. Além disso… não me
queria encontrar numa situação em que estivesse muito perto dele sem conseguir
fugir… Mas por outro lado, tinha que ir para a faculdade…
- Eu não mordo. –
Disse rindo.
Lá estava ele de novo a
fazer troça de mim… Já começava a ficar farta, mas desta vez ia deixar escapar,
precisava de boleia, e como tal, entrei bruscamente no carro dele. Ele riu-se e
fechou a minha porta e dirigiu-se para o outro lado do carro.
Eu estava a tentar por o
cinto, mas era um sistema demasiado estranho… Tentei e tentei, mas não estava a
dar. Quando dei por mim, umas mãos puxaram o meu cinto e colocaram-no à volta
da minha cintura pondo-o na posição correcta.
- Obrigada… – Murmurei
corada.
- De nada. – Disse a
sorrir enquanto ligava o carro.
De certeza que ainda estava corada, mas agora que estava dentro do
carro e já estava mais calma, pude ficar novamente… chocada. O carro parecia um
avião… O painel era preto com montes de botões entre outras coisas. Senti a
minha boca a abrir de surpresa…
- Gostas? –
Perguntou o William enquanto ria.
Ele já estava a conduzir, mas mesmo assim ainda conseguia olhar de
vez em quando para mim.
- Hum… Não sei, é
diferente. – Disse acanhada. Nunca tinha estado num carro tão avançado… O
melhor carro que já andei foi no da Jéssica, um Ferrari velho, mas ainda assim
potente.
- O diferente é
bom. – Disse olhando para mim ternamente. O que ele queria dizer com isso…
- Suponho que
sim. Mas eu não seria capaz de o conduzir… – Disse esboçando um pequeno
sorriso.
- Eras sim, este
não é assim tão mau de se conduzir. – Disse sorrindo.
Eu não acreditava muito nisso… Parecia um carro muito moderno com
montes de funcionalidades que por mais que eu o conduzisse nunca iria
descobrir.
- Hum, que modelo
é? – Perguntei curiosa.
- Bem é um
Lamborghini Reventón. – Disse sorrindo.
Ok, era um Lamborghini, o modelo tanto importava, já que eu não
sabia nada de carros. Mesmo após ele me ter dito o modelo não fui capaz de
saber nada, como tal limitei-me a calar. Ele percebeu…
- Ok, resumindo,
é um carro da Lamborghini com muita potência. Só há cerca de 21 no mundo. Mas
fora isso, é um carro como todos os outros. – Disse a rir. – Não há mais nada a
saber.
- Hum, então
porque gostas dele? – Perguntei. Se era igual a outros carros, teria de ter
algo de especial para só se poder produzir 21…
- Bem, para além
de ser fácil de conduzir, tem outra particularidade que eu gosto… – Disse
aguardando qualquer emoção da minha parte. Não lha concedi e fiquei à espera.
- É o facto de
fazer dos 0 aos 100 km/h em 3,3 segundos. –
Disse a rir, dando velocidade ao carro.
Fui empurrada para trás devido ao impulso, e
admito que me assustei. Olhei para ele com cara de zangada e senti o diminuir
da velocidade.
-
Estás doido?! Podias ter-nos morto! – Disse zangada, alias furiosa.
Ele riu-se mas deve ter pensado em algo e logo
ficou com um semblante algo triste ou magoado…
-
Sim, foi uma estupidez da minha parte. – Disse com voz suave. Arrepiei-me só de
ouvir… Estava prestes a falar quando ele falou novamente.
-
Bem, pelo menos agora sabes qual é a particularidade deste carro. – Disse
rindo.
Este William não tinha emenda, sempre que eu
pensava que ele estava triste ou algo assim este saía-me com outra coisa
qualquer da boca, completamente diferente. Suspirei e olhei para a janela
apreciando a paisagem.
Já tinha passado uns 10
minutos desde que saímos de minha casa, eu não me atrevia a falar ainda. Mas o
engraçado é que eu gostava do silêncio, mas este que agora pairava no carro era
incomodativo.
- Hoje não estás
muito faladora. – Disse a sorrir.
- Ah pois, não
sei o que dizer. – Disse com a sinceridade a transparecer na voz.
- Compreendo.
Bem, podes perguntar o que quiseres. – Disse a rir.
Hum… o que eu quisesse. Bem, tinha algumas coisas para lhe
perguntar, no entanto havia uma recente que eu teria inevitavelmente de
perguntar.
- Então? –
Perguntou William.
- Bem, tenho uma
pergunta sim… – Disse acanhada
Ele riu e logo depois desviou o olhar da estrada por uns instantes
para olhar para mim e disse:
- Força com isso.
- O que fazias na
minha rua? – Perguntei.
Sim, já que ele vivia a apenas um quarteirão da faculdade o que é
que ele estaria a fazer tão longe de casa? O William aclarou a voz e disse:
- Bem, ontem
estive a estudar em casa de um amigo e acabei por dormir lá. Como tal o caminho
para ir para a faculdade era passando por aqui. – Disse sem expressar qualquer
emoção.
- Hum… Ok. Ele é
da tua área? – Perguntei curiosa.
- Bem sim, mas só
estudamos por vezes juntos. Tirando as aulas práticas raramente nos vemos na
faculdade. – Disse a sorrir.
Calamo-nos durante uns 5
minutos. Olhei em volta e estávamos a entrar nos portões da faculdade. O
William rapidamente encaminhou-se para o parque de estacionamento. Parou o
carro e saiu rapidamente. Preparei-me para abrir a porta, mas ele abriu-a para
mim.
- Obrigada. – Murmurei
Ele limitou-se a sair e
andou ao meu lado, colocando a mão no meu ombro. E assim caminhamos até à
entrada para o interior do edifício. Enquanto andávamos assim tão perto um do
outro, montes de pessoas nos olharam… Acho que nunca tinha sido tão observada
em toda a minha vida.
As raparigas só me olhavam com cara de desprezo, como se eu não
merecesse estar ao lado de William… Algo me dizia que ele era bastante popular
por ali, e em certa maneira eu concordava com elas. Eu não merecia estar ao
lado do William, mas elas não se deveriam preocupar, para além de não gostar
dele nós não combinávamos de maneira nenhuma! Nem amigos éramos!
Tudo bem, que pela maneira como ele me puxava com ele parecia e
muito bem que éramos amigos… Mas será que éramos? Fui interrompida dos meus
pensamentos quando ouvi uma voz a falar:
- Olá Will. –
Disse rindo
Olhei e era uma loira escultural. Tinha cabelos ondulados como as
ondas do mar e um cabelo bastante comprido até à cintura. Tinha maquilhagem
bastante provocadora, principalmente nos lábios e olhos. Envergava uma
minissaia com collants por baixo, umas botas de salto alto e uma camisola
bordou de manga comprida.
- Ah olá Susan. –
Disse Will a sorrir.
- Estás muito
lindo hoje. Olha, podes ajudar-me na cadeira de psiquiatria? – Perguntou
piscando-lhe o olho.
Hum, a Susan realmente era
bonita, no entanto para mim era uma mulher muito atrevida. Talvez devido ao
atrevimento dela, ele sorrisse tanto com ela. Eram perfeitos um para o outro.
No entanto, ela falava como se eu não estivesse ali, e isso incomodava-me. Ela
não era mais do que os outros.
- Ah! Susan esta é a minha
Sophia. – Disse sorrindo para mim
Corei… “Minha Sophia”? Mas o que ele queria dizer com isso? Olhei
para ele, insegura, mas ele apenas sorriu.
- Hum é tua
namorada? – Perguntou olhando feio para mim, mas logo de seguida sorriu. Deve
ter achado que não era concorrência para ela.
Ele sorriu apenas e olhou para mim. Ajeitou-me uma madeixa do
cabelo e olhou de novo para a Susan.
- Não é da tua
conta. E não sou o melhor para te ajudar nessa cadeira, tenta o Peter. – Disse
ríspido e continuamos a andar em frente.
Não acredito, ele tinha
acabado de rejeitar a rapariga. Olhei para trás por entre o meu ombro e vi a
Susan irritada a sair dali vermelha, talvez da vergonha da rejeição.
- Estás bem? – Perguntou o
William preocupado.
Olhei confusa para ele… Porque é que ele tinha rejeitado aquela
rapariga? Porque tinha-lhe dito “minha Sophia”? Tinha muitas perguntas que
assolavam agora na minha mente…
- Sim estou, e
tu? – Perguntei
Ele olhou-me confuso, como se não tivesse percebido o motivo pela
qual eu tinha feito aquela pergunta.
- Estou bem, mas
porquê a pergunta? – Perguntou
- Bem, porque só
podes não estar bem para rejeitares aquela rapariga daquela maneira, ela ficou
vermelha de vergonha. - Disse-lhe
Tínhamos chegado à porta do meu auditório. Ele mais uma vez teria
aula no auditório ao lado. No entanto, eu esperava que ele respondesse, mas
apenas disse:
- Encontramo-nos
na cantina às 13 para almoçarmos. Boa aula Sophia. – Disse beijando-me a testa.
Vi William a ir em direcção ao seu auditório. Coloquei a minha mão
na minha testa, parecendo ainda que sentia o toque de William. Sentei-me na
minha cadeira e tentei concentrar-me durante toda a aula.
Finalmente a aula
tinha terminado, tentei apanhar algumas coisas, mas confesso não estar 100%
concentrada. Arrumei as minhas coisas e dirigi-me para a cantina da faculdade.
Estava um pouco mais ansiosa por chegar à cafetaria do que da última vez.
Cheguei à cantina
e analisei todas as mesas, até que o encontrei. Estava na mesa do costume, a
que nos tínhamos sentado antes. Tinha também dois tabuleiros de comida tal como
da primeira vez, ri-me desse facto. Aproximei-me da cadeira e sentei-me
colocando a mochila no chão.
- Olá. – Disse
rindo – Desta vez já não pediste autorização para te sentar, fico contente. –
Disse a sorrir.
Olhei para os meus pés e sorri apenas.
- Bem está aqui o
tabuleiro, bem tal como da outra vez trouxe-te de tudo um pouco. – Riu alto
Observei o
tabuleiro, tinha rolo de carne com legumes e puré de batata, sopa de qualquer
coisa que não consegui identificar e uma gelatina de morango.
- Obrigada. –
Disse já despachando a hipótese de comer o rolo de carne.
Começamos a comer. Não dirigimos palavras um ao outro durante esse
tempo. Quando terminei reparei de novo que ele tinha terminado a refeição
primeiro que eu, devia ter goelas de pato de certeza.
- Estava bom? –
Perguntou
- Sim, e o teu
estava? – Não sabia o que mais perguntar.
- Claro que
estava, a comida daqui é boa até. – Disse baixinho.
Ficamos uns minutos em silêncio, mas ouvi uma pergunta dele para
mim:
- Então como foi
a aula? – Perguntou
- Ah foi boa, mas
não tomei muita atenção. – Disse sinceramente
Ele olhou-me com uma cara estranha, como se tivesse desconfiado de
algo, não sei bem ao certo.
- Porque não te
concentraste? – Perguntou erguendo as sobrancelhas.
- Bem, porque
tinha umas perguntas na minha cabeça que não saiam… – Disse olhando para a
rolha do meu sumo.
- Que perguntas?
– Perguntou – É sobre mim? – Perguntou baixando a cabeça para ver o meu rosto.
Abanei a cabeça dizendo que era. Ele recostou-se na cadeira,
suspirou e depois disse:
- Ok, podes
perguntar o que quiseres que eu respondo. – Disse – Mas, em troca, quando eu te
levar a casa vais responder a algumas minhas. – Disse com um olhar persistente.
Eu não sabia o que ele poderia querer saber da minha parte, mas
por mim tudo bem, não tinha nada de interessante. Como tal concordei.
- Ok, podes
começar. – Disse olhando fixamente para os meus olhos.
Baixei os olhos e comecei a fazer as perguntas que me assolavam a
mente:
- Primeiro, por
que motivo rejeitaste aquela rapariga? Ela não era má de todo, era bonita e até
parecia interessada em ti. – Disse rapidamente
- Bem rejeitei-a
porque ela não faz o meu género, pessoalmente não gosto de loiras. Segundo não
é só a beleza que importa Sophia, também a educação e ela desprezou-te
completamente, mais um motivo para a rejeitar. – Disse olhando-me nos olhos.
- Mas ela gostava
de ti, via-se na cara dela. Além disso ela ficou tão envergonhada, tive pena
dela. – Admiti.
- Não devias, ela
desprezou-te e ninguém te pode desprezar nunca! – Disse – Além do mais ela
gostava de mim, pois eu não gostava dela, logo não podia fazer nada. – Admitiu.
- Mas… – ia para
continuar mas fui interrompida.
- Já chega de
falar da outra mulher! – Pediu fortemente para mim.
Calei-me logo… A voz dele tinha-me assustado… Agora recusava-me a
falar e a encará-lo. Ele levou-me a mão ao queixo e obrigou a minha cara a
estar de frente para a dele.
- Desculpa, não
queria-te assustar. Só acho que não devias desperdiçar tempo a falar naquela
rapariga que te tratou mal, só isso. Desculpa, agora podes continuar que não te
irei interromper mais. – Prometeu.
- Ok… Outra
questão era porque me chamaste de… – Disse envergonhada. Não conseguia dizer as
palavras que faltavam…
- Chamei-te o
quê? – Ele perguntou calmo.
- De “Tua
Sophia”… – Disse finalizando a frase muito baixinho.
Ele sorriu e deu-me uma festa no cabelo. E como combinado
limitou-se a responder-me:
- Bem essa é
fácil, chamei-te isso porque a Susan estava a desprezar-te e foi a melhor
maneira que achei para ela se aperceber que tu estavas ali comigo. Uma rapariga
como tu não merece ser desprezada. – Disse calmamente.
- É outra vez
aquela história de ser frágil? – Perguntei fazendo beicinho.
Ele riu-se e muito alto. Todos ficaram a olhar para nós. Ele
rapidamente pára e volta a olhar para mim.
- Já sei que não
o és, ouvi o que tinhas dito da outra vez. Mas em certas ocasiões quando olho
para ti continuo a pensar que és tão frágil como uma flor no inverno. – Disse
sorrindo.
Corei mas tentei pensar noutra pergunta rapidamente, o que
acontece é que lembrei-me da pergunta perfeita para ele…
- Já acabaram as
perguntas? – Perguntou a rir
- Não, tenho mais
uma. – Disse
- Força então. Dá
tempo para mais uma pergunta, depois temos que ir embora para a aula. – Disse
olhando para o relógio.
- Hum… Porque me
foste ver no dia do espectáculo? – Perguntei.
Ele ficou branco, no entanto tentou disfarçar. Aproximou-se de mim
e depois respondeu um pouco embaraçado:
- Bem na verdade
não sei muito bem. O que acontece é que fui à vossa casa com a intenção de
fazer uma surpresa à minha avó. Ninguém estava e como tal lembrei-me que
poderiam estar todo no teu espectáculo. A minha avó tinha-me contado sabes? – Perguntou
Abanei com a cabeça. Ele suspirou e continuou a explicação.
- A minha avó
tinha-me dado a localização do local, mais uma vez, ela não saberia que eu
estaria lá no seu dia de anos, pensei que pudessem estar todos lá, e como tal
apanhei um táxi e fui para o teu espectáculo. Quando entrei e te vi, bem
primeiro não pensei que fosses tu. – Disse a olhar para mim com um sorriso
enviesado.
- Pois…. – Disse
envergonhada.
- Pronto, fiquei
um pouco espantado, porque tu estavas… – Disse
A campainha tocou, estava na hora de ir para a minha aula
seguinte. Levantei-me da cadeira e coloquei a mochila às costas. Ouvi o William
a sussurrar qualquer coisa mas não percebi.
- Que disseste
William? – Perguntei
- Nada, a serio
que nada. – Disse continuando comigo o caminho até à sala.
Caminhámos até à
sala juntos. Despedimo-nos e desta vez a aula correu muito melhor pois já não
tinha a cabeça inundada de questões. Tirei cuidadosamente apontamentos de tudo
o que consegui apanhar e passadas duas horas saí da sala de aula.
Ao sair não esperava que o William estivesse à minha espera
encostado na ombreira da porta. Dirigi-me até ele.
- Olá, então como
correu desta vez a aula? – Perguntou a sorrir para mim.
Não consegui contrariar aquele sorriso, e como tal sorri também.
- Melhor que a
primeira. – Respondi com um sorriso ligeiro.
Saímos da porta da sala e andámos até ao corredor.
- Tens mais aulas
agora? – Perguntou
- Ah não, e tu? –
Perguntei
- Hum não, as
minhas já acabaram. Então vamos para casa? – Perguntou rindo.
Corei com o que ele disse… “Vamos para casa” soava bem… Mas o que
é que estou para aqui a dizer! Bem, eram 17 horas, ainda queria ver se
conseguia ir à biblioteca procurar um livro para o meu trabalho.
- Hum… Podemos ir
à biblioteca? – Perguntei
- Podemos, vamos
lá então. – Disse encaminhando-me para a biblioteca com ele.
Encaminhamo-nos à biblioteca e não demorámos muito. Fui buscar o
livro que precisava, ou melhor, eu não o fui buscar, foi o William porque era
mais alto que eu. Demos baixa do livro e saímos em direcção ao estacionamento.
- Para que queres
o livro? – Perguntou curioso
- Ah para um
trabalho que estou a fazer. – Disse.
Aproximamo-nos na saída e vimos que estava a chover. Não chovia
muito, mas era suficiente para molhar uma pessoa que fosse a pé para casa, como
eu se o William não tivesse a dar-me boleia.
- Está a chover.
– Disse evidenciando o óbvio.
- Sim está. Vamos
correr até ao carro? – Perguntou e piscou-me o olho.
Quando eu notei já lá
estava ele à chuva a correr em direcção ao carro. Comecei a correr também.
William corria rápido, mas eu também era rápida e alcancei o carro logo depois
dele.
Entrei no carro e sentei-me logo no banco. Olhei para o lado e
William estava com o cabelo encharcado a pingar gotas, tal como o meu rabo-de-cavalo
estava. Comecei a rir-me.
- O que foi
Sophia? – Perguntou a rir também.
- Ah é que
parecemos os dois uns pintos molhados! – Disse olhando para ele.
Ele observou-nos e riu-se também, vendo que era verdade, estávamos
os dois encharcados e os nossos cabelos pingavam.
O William pós o
carro a funcionar e avançamos com cuidado em direcção à saída da faculdade.
Depois de parar de rir reparei que estava a começar a ficar frio, isso porque
os meus dentes começaram a bater. O William percebeu e alcançou o aquecimento
do carro e começou a ficar mais quente.
- Obrigada. –
Disse sentindo-me a ficar mais quente.
- Não tens de
quê. – Disse. – Então pronta para as perguntas? – Perguntou com um olhar
malandro.
- Hum, força. –
Disse
Ele pensou durante um pouco, e depois começou a perguntar
rapidamente:
- Qual é a tua
cor preferida? – Disse a rir.
A serio? Essas é que eram as perguntas que ele queria?! Ok, já que
ele respondeu às minhas eu também responderia às dele.
- Azul-turquesa.
– Respondi prontamente.
- Qual é a tua
flor preferida?
- Lírios. –
Respondi.
Ele olhou para mim, e depois seguiu com as perguntas.
- Qual é a tua
dança preferida?
- Ballet. –
Disse.
- Ah é uma
clássica. É raro uma pessoa gostar de ballet. Porque gostas? – Perguntou.
- Porque o meu
pai me chamava a sua pequena bailarina, como tal fiquei a adorar ballet. –
Disse
O quê? Eu nunca mas nunca tinha dito isto para ninguém! Mas como
fui capaz de lhe dizer?! Estava espantada comigo mesma…
- Qual é a tua
comida preferida?
- Massada de
legumes. – Respondi.
Ele olhou-me estranho mas
continuou a fazer as perguntas. Por norma era sobre as minhas preferências, e
até estava a ser fácil. Eu respondia-lhe facilmente sem quaisquer rodeios, era
fácil. Bem isso pensava eu até ele ter ido parar a outros campos…
- Tens namorado? –
Perguntou calmo.
Corei… Queria que um chão me engolisse neste preciso momento, mas
eu não tinha assim tanta sorte… Teria de lhe responder.
- Não. – Disse
murmurando.
- Ok, e já
tiveste algum? – Perguntou com uma voz a transmitir cuidado.
Suspirei e lá respondi.
- Não, nunca tive
nenhum. – Disse.
Ele olhou-me nos olhos, e eu já sabia o que ele queria saber…
- Nunca tive
porque sempre tive dificuldade em comunicar com as pessoas… Era muito tímida e
também não era nada de especial, sempre fui uma rapariga normal sem qualquer
coisa nova. – Disse – Como tal os rapazes nunca queriam nada comigo, mas também
não tenho pena disso.
- Muito bem. –
Disse apenas.
- Então o
interrogatório já terminou William? – Perguntei contente.
Ele riu-se e logo depois olhou para mim e respondeu:
- Bem, eu
gostaria de perguntar mais uma coisa, mas já estamos à tua porta e a tua mãe
ainda pensa que te estou a raptar. – Disse rindo.
Ri também, mas esperei a ver se ele fazia a pergunta.
- Podes fazer a
pergunta, eu posso responder. – Disse
- Bem, então
posso perguntar se já não estás mais aborrecida comigo? – Perguntou
- Eu nunca tive
aborr… – Ia a dizer quando ele me ergueu uma sobrancelha – Ok, sim eu fiquei
aborrecida contigo devido ao espectáculo, mas prometo que agora já não estou
zangada. – Disse. Eu estava a ser sincera.
- Muito bem
obrigada então Sophia. Então…amigos? – Perguntou.
- Sim, amigos. –
Disse sorrindo.
Ele desligou o carro e levou-me até à porta de casa, já não estava
a chover.
- Sabes que não
era preciso fazeres isso certo? – Perguntei
- Sei, mas não
fui obrigado, por isso não há problema. – Disse mandando-me a língua de fora.
- Pronto ok,
nesse caso obrigada. Ah e tenho mesmo que te agradecer pela boleia. – Disse
- Ah não tens que
agradecer. Eu vou dar-te o número de um colega meu que arranja carros, ele vai
saber o que fazer. – Disse a rir.
- Obrigada. Então
até amanha William. – Disse virando-me para abrir a porta.
Ia a virar-me quando ele me impede e dá-me um beijo na bochecha.
Fiquei a olhar para ele.
- Até amanha
Sophia, ah e já agora, é Will. – Disse sussurrando-me ao ouvido e começou a
afastar-se em direcção ao carro.
Fiquei paralisada
durante uns bons cinco minutos… Vi o William, quer dizer o Will a abalar do meu
passeio com o seu carro. Ainda sentia o toque dos seus lábios na minha
bochecha. Levei lá a mão e parecia que queimava.
Entrei dentro de
casa e já todos estavam já em casa. A minha mãe fazia o jantar e a minha avó
estava a ajudar a por a mesa.
- Olá filha, como
correu a universidade? Ou não foste, tinhas aí o carro. – Disse desconfiada.
- Ele não quis
pegar mãe. Mas não te preocupes, o Will deu-me boleia. – Disse seguindo para
cima para tomar um banho.
Tomei um banho
relaxante e vesti o meu pijama. Desci as escadas e já estava tudo pronto para
jantar. Começamos a jantar e estava maravilhoso, era ratatouille. Comi
saboreando tudo e comi com calma.
Acabamos de
jantar e ainda fiquei na mesa para fazer companhia na toma do café, apesar de
não beber. Depois disso ajudei ainda a arrumar tudo. Subi as escadas para ir
guardar a minha mochila quando oiço a minha avó a chamar-me:
- Sophy, o Will
está ao telefone, vem cá! – Disse com a voz admirada.
Desci as escadas tão admirada quanto ela, até a minha mãe parou de
limpar o resto da cozinha para me ver. Coloquei o telefone ao meu ouvido e
falei:
- Estou? –
Perguntei acanhadamente.
- Olá minha amiga
Sophy. – Disse o Will a rir.
Comecei-me a rir-me. Ele tinha razão, agora que éramos amigos ele
podia ligar-me quando quisesse, pelo menos suponho eu, nunca tinha tido um
amigo a ligar-me para o telefone de casa. Mas sim, agora eu era amiga de Will,
e ele era meu amigo…
- Olá Will. –
Disse a rir.
- Olha minha
Sophy já arranjei o mecânico para o teu carro, ok amiga? – Disse no fim às
gargalhadas.
Não pude deixar de rir também, e por fim respondi:
-
Obrigada então amigo… – Disse sorrindo
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