Capítulo 6 - Jantar de Família

É um dia de Outono normal, está frio, as folhas das árvores caiem e só se vê promoções de natal na televisão, apesar de ainda faltar mais ou menos dois meses para o natal. Passou-se três dias desde a última vez que falei com o William ou que o vi na faculdade, mas não me importava com esse facto.
A faculdade ia muito bem, estava sempre atenta e sempre que chegava a casa, depois de ir ao estúdio, sentava-me na minha secretária a estudar, suponho que a maioria das pessoas não se aplicavam tanto assim, devido à vida social, mas eu como não a tinha podia vir a ser uma aluna dedicada e excelente.
            Estava a terminar o último capítulo da história da dança que tinha-nos sido apresentado anteontem. Estava sentada na mesa da cozinha, pois tinha mais espaço para trabalhar e estava sozinha em casa. Era domingo, a minha mãe e avó estavam na casa do William a terminar uma divisão, penso que falaram na cozinha, mas não sabia precisar, e como tal eu estava por aqui sozinha.
Não me importava assim tanto com o silêncio, conseguia até tirar proveito dele, mas por vezes, sentia-me sozinha por não ter companhia muitas vezes… A mãe trabalhava, mas agora estava de férias e a avó também trabalha como decoradora de interiores e como tal, está sempre com a minha mãe. Por isso fico muitas vezes sozinha, mas já me acostumei.
            Continuei a ler o último capítulo de Historia da Dança, cheguei ao fim e decidi começar a escrever tudo o que tinha lido para o caderno da disciplina, fazendo assim uma espécie de apontamentos. Fiquei empenhada nisso durante umas boas duas horas, até que vi que eram horas de almoçar.
Levantei-me da cadeira e fui ao frigorífico. Por norma eu não tinha que cozinhar, mas até sabia cozinhar bem, não tanto como a minha mãe ou avó, mas isso era devido à falta de prática. Tirei um resto de tofu e cortei-o finamente salteando-o na frigideira com azeite, sal, pimenta e cravinho. Pus o tofu num prato com outro em cima para o manter quente e dirigi-me ao jardim das traseiras.
            Este era um jardim pequeno, mas que continha uma horta que o meu pai arranjou à minha mãe. Esta tinha batatas, cenouras, couves, tomates, beterrabas e outras nabiças deliciosas. Tirei uma batata, umas folhas de couves, um tomate e uma cenoura. Entrei de novo para a cozinha onde lavei os legumes e os cortei uniformemente. Temperei uma frigideira com manteiga, sal e pimenta e saltei os legumes lá. Retirei-os para o prato do tofu e por fim na mesma frigideira fiz um molho de mostarda que juntei aos legumes e tofu.
Levei o prato para a mesinha à frente do sofá. Sentei-me e liguei a televisão e vi enquanto almoçava. Pus no canal das notícias, e a primeira notícia que deram foi que havia descontos no centro comercial da cidade – pessoalmente não achei que fosse notícia decente – a segunda notícia foi o alerta de que há um gang que está a assaltar pessoas da zona – ok, esta já era mais interessante. Estava prestes a ouvir o resto da notícia quando o telefone começa a tocar.
            Apressei-me para chegar ao telefone, apesar de não conhecer o número que me estava a ligar atendi:
            - Estou? – Perguntei timidamente
            - Sophia? – Respondeu a voz do outro lado da linha – eu conhecia esta voz em qualquer lado, era William.
            - Sim. - Disse – quem mais seria, pensei.
            - Ah olha, estou a ligar porque a tua mãe e a minha avó estão aqui e vamos almoçar todos juntos, então estou a ligar para saberes se queres vir. – Perguntou e ouvi um risinho do outro lado abafado.
Olhei para o meu prato de comida, parecia tão apetitoso e além disso ainda não o tinha comido nada… E não me apetecia sair de casa para ir ter com ele, seria demasiado constrangedor.
            - Estás aí Sophia? – Perguntou rindo
            - Sim, e não. – Respondi apressadamente
Ouvi um riso dele do outro lado, e fiquei irritada…
            - Sim e não?! O sim é para o quê? E o não é para o quê também? – Disse rindo.
            - Como é lógico, o sim é para o “estou aqui” e o não é porque não vou aí almoçar, comam vocês. Agora vou comer. – Disse desligando o telefone.
            Sei que provavelmente foi rude, mas ele também me irritou… Detesto quando se riem de mim… Em criança já era gozada o suficiente, mas não ia permitir que me gozassem já com 19 anos de idade…
Sentei-me de novo a almoçar e quando terminei lavei a loiça e arrumei todos os livros no meu quarto. Eram 14 horas, e como já tinha estudado tudo e tinha até alguns trabalhos adiantados decidi aligeirar a tensão e ir para o estúdio treinar. Fui buscar o meu saco ao armário e mesmo aí tirei umas calças de fato de treino cinzentas, uma camisola de alças roxa e calcei os meus ténis. Coloquei as minhas sapatinhas velhas de ballet na mala e desci. Apanhei uma garrafa de água e uma pêra e coloquei na mala.
            Saí de casa e dirigi até ao estúdio. Entrei e fechei a porta. Coloquei o saco no banco e comecei a alongar. Precisava de aquecer bem os músculos e por isso alonguei durante uns 15 minutos. Quando já estava pronta descalcei-me e calcei as minhas velhas sapatinhas de ballet, já eram muito velhinhas mas davam por agora. Não sabia desde quando este interesse súbdito por ballet apareceu, talvez por causa da história da dança, o ballet é referido muitas vezes…
Coloquei um CD de ballet e comecei a dançar… Dancei durante umas 4 horas seguidas, sem parar. Só parei quando os meus pés começaram a doer e por isso sentei-me no chão e comecei a descalçar-me.
            Comi a minha pêra e bebi toda a água que tinha, eram agora umas 18 horas, segundo o relógio da minha parede. Guardei tudo e sai do estúdio dirigindo-me de seguida para o carro, pois já tinha anoitecido. Conduzi até chegar a casa, as luzes da sala e cozinha estavam acesas, dava para ver cá de fora.
Saí do carro e entrei dentro de casa. Estava a fechar a porta e ouvi atrás de mim:
            - Bem-vinda a casa Sophia! – Disse William
Virei-me subitamente encostando-me logo à porta, fiquei mesmo assustada, ainda pior quando o vi ali à minha frente, e eu ali toda suada e assustada.
            - Oh olá Sophy! – Disse a vovó atrás de William. – Hoje o William vem jantar cá não é maravilhoso?! – Disse a vovó a rir puxando o William com ela.
A minha mãe estava a preparar o jantar e só a vi a sorrir para mim. Dirigi-me rapidamente lá para cima, assim que cheguei ao quarto tranquei a porta atrás de mim…
            Ok… respira Sophy, respira… – disse para mim mesma – é só o William, e não há problema nenhum. Agora, acalma-te e vai tomar banho e vestir-te. – Disse decidida. Preparei um pijama, era um branco com uns botões na frente e com uma borda nas calças muito engraçada. Preparei também o meu robe e a roupa interior. Agora que tinha tudo pronto, espreitei pelo buraco da fechadura e vi que não estava lá o William, então saí rapidamente e entrei na casa de banho trancando-a de imediato.
Na casa de banho coloquei toda a roupa e pantufas em cima da cómoda e entrei para a banheira. Lavei o cabelo duas vezes e o corpo também, ainda tive tempo de fazer umas massagens. Enrolei-me na toalha e sequei-me delicadamente. Vesti o meu pijama, de seguida coloquei o robe e amarrei-o. Calcei as minhas pantufas e sequei o meu cabelo um pouco com a toalha. Por fim, livrei-me dos nós e saí da casa de banho.
Senti um aroma a massada de legumes, desci automaticamente as escadas e tive uma visão engraçada… estava a minha mãe na cozinha a mexer o tacho e o William de avental posto a cortar coentros. Ri-me e bem alto, tanto que todos olharam para mim.
- Quem foi netinha? – Perguntou a vovó que tinha acabado de por a mesa e esta a sentar-se no sofá.
- Hum, nada. – Disse descendo e sentando-me no meu canto do sofá.
Olhei para a televisão e ouvi a minha mãe a despachar o William para fora da cozinha porque os convidados não cozinham. – Aí a minha mãe, sempre tão prestável e atenciosa.
            Vi o William a dar a volta ao sofá e a passar pela avó. Deu-lhe um beijo na cabeça e pensei que se fosse sentar ao seu lado, mas enganei-me e sentou-se mesmo ao meu lado. Senti-me bastante desconfortável e puxei-me mais para o canto oposto a ele.
            - Então Sophia como vai a faculdade? – Perguntou gentilmente
Eu teria de responder, perante a família teria de ser muito querida e ser paciente com ele, apesar de ele me fazer dar em doida por vezes…
            - Hum… bem. – Respondi olhando sempre para a TV.
Vi a minha mãe e a avó a afastarem-se e irem para a cozinha, não sei o que elas estariam a tramar, coisa boa não seria, mas não dei muita importância.
            - Muito bem, fico feliz por te estares a adaptar naquela faculdade. – Disse sorrindo.
            - Sim suponho. – Respondi com os olhos fixados na TV.
Ouvi os pratos a serem postos na mesa, logo estaria quase na hora de irmos jantar, não saberia era quanto tempo demoraria, esperava que não fosse muito tempo… Esperava eu.
            - Então já arranjaste colegas? – Perguntou num tom interessado
            - Colegas? – Perguntei, não sabia ao que ele estava a referir-se.
Ele sorriu e colocou uma madeixa do meu cabelo atrás da minha orelha, e de seguida afastou-se de mim.
            - Sim colegas, amigos e assim. – Disse com um ar natural.
            - Não, ainda não. – Respondi ainda com o batimento cardíaco acelerado devido ao gesto da parte dele.
            - Ah que pena. Bem eles é que perdem. – Disse a rir-se. Parecia algo satisfeito com isso.
A minha mãe aproximou-se de nós e disse:
            - É, a minha Sophy é uma menina muito especial e uma óptima companhia, quando decide falar. – Disse a brincar – Agora levantem-se e vamos jantar.
Levantei-me cuidadosamente e logo de seguida o William levanta-se e ficou a olhar para mim… Não percebi o motivo… Desviei o olhar e segui para a mesa de jantar. Sentei-me na cadeira e esperei por todos.
Servi-me de massada de legumes e comecei a comer devagar, degustando cada garfada que levava à minha boca, felizmente hoje, William não se sentou à minha frente, mas sim ao meu lado de frente para a vovó. Era mais fácil eu tolerá-lo quando não conseguia olhar directamente para ele
As conversas do jantar estavam sempre no mesmo assunto: a casa de William. Ou quando mudavam de conversa era sobre qualquer coisa do William. Continuei a comer e quando terminei fiquei mais atenta às conversas:
- Will como vai o doutoramento? – Perguntou a minha mãe enquanto servia café, pena que eu não goste.
- Bem Senhora Lisa está a ser bastante interessante. Gosto particularmente da parte prática. – Respondeu enquanto engolia um pouco de café.
- Parte prática? O que é isso neto? – Perguntou a Graça curiosa.
O William pousou a chávena e olhou para mim, depois voltou-se para a avó e disse:
            - Avó a parte prática é quando eu vou para um consultório dar consultas e depois elaboro um relatório sobre essa parte. – Respondeu
A avó fez uma cara engraçada, ela fingiu que percebeu mas mesmo assim dizia que “sim” com a cabeça enquanto bebia o resto do café.
            - Mas tens aulas na faculdade certo? – Perguntou a minha mãe.
            - Claro Dona Lisa, tenho aulas como qualquer outro estudante. – Disse a sorrir. O sorriso dele era maravilhoso… transmitia muita confiança e um grande à vontade… Quem me dera poder ser assim…
            - Então vês certamente algumas vezes a minha filha. – Disse a minha mãe. Olhei para ela com ar de descontentamento, mas não adiantou.
            - Evidentemente, já estive com a Sophia uma vez. Ajudei-a a encontrar a sala e almoçamos juntos. – Disse olhando para mim com um sorriso. Naquele momento corei, queria esconder-me dos olhares de surpresa da minha mãe.
            - Não me digas, a serio que a minha filha concordou almoçar contigo? – Perguntou a minha mãe desconfiada.
            - Claro. – Disse com um sorriso nos lábios – Mas porque pergunta? – Perguntou intrigado mas com um sorriso matreiro.
A minha mãe calou-se um pouco, olhou para mim e depois respondeu.
            - Bem, a minha filha nunca foi muito social. Nunca saiu assim como disseste William, para almoçar com ninguém. Fiquei apenas desconfiada, mas já que é verdade fico bastante feliz por a minha filha ter encontrado um amigo. – Disse com um sorriso nos lábios.
            O William ficou a olhar para mim, parecia algo satisfeito… Incapaz de o olhar fui levantar a mesa, mas fui logo repreendida…
            - Nem penses Sophy, então vais deixar ali o Will sozinho no sofá? – Perguntou chateada obrigando-me a olhar para William, que agora estava com um sorriso nos lábios sentado no sofá.
            - Ok mãe… – Respondi e sentei-me contrariada ao lado de William no sofá. Sentei-me amuada e fiz beicinho.
Senti o William a rir-se e baixou-se para olhar para os meus olhos, consegui ver os olhos dele, mas desta vez não ia deixar eles me afectarem.
            - Oh não faz beicinho Sophia. – Disse mexendo-me com o dedo no meu lábio inferior.
Ruborizei e automaticamente deixei de fazer beicinho e virei a cara para o outro lado, o toque dele queimava e agora não conseguia olhar para ele, principalmente com a noção que ele iria ver as minhas bochechas coradas. Só esperava que ele não insistisse para que eu olhasse para ele.
Aguardei um pouco e decidi olhar por entre os meus cabelos para ele, mas já não se encontrava ao meu lado. Olhei para trás e estava a despedir-se da minha mãe e avó. Levantei-me e dirigi-me até eles.
- Obrigada pelo jantar dona Lisa, estava maravilhoso! – Disse despedindo-se da minha mãe.
- Ah de nada Will, é sempre um prazer ter-te por cá, podes aparecer mais vezes! – Sorriu a minha mãe.
O William sorriu e automaticamente respondeu:
            - Seria um prazer. – Disse a sorrir.
Depois virou-se para a avó e abraçou-a dizendo-lhe algo ao ouvido que deixou a avó bastante feliz, pois ela sorriu bastante contente.
            - Então vai lá Will, adorei ver-te mais uma vez. – Disse a vovó.
            - Ok avó, cuide-se sim? – Disse o William agora virando-se para mim. Este parou a alguns metros de mim e sorriu.
            - Bem, então até amanha Sophia. Adorei a companhia mais uma vez. – Disse dando um beijinho na minha bochecha.
Parei automaticamente, fiquei completamente paralisada. Não me consegui mexer, só ouvia o meu coração a mil e a minha bochecha esquerda a arder… Nem conseguia ouvir o que me diziam…
- Sophy não levas o Will até à porta? – Perguntou a minha mãe enquanto se dirigia para o balcão da cozinha.
- Hã? – Perguntei. – Não tinha prestado atenção nenhuma, estava à deriva sem saber o que fazer.
- Vais acompanhar o Will à porta ou não? – Disse a minha mãe impaciente.
- Hum… Sim. – Disse dirigindo-me para a porta com o William.
Abri-lhe a porta e ele saiu, virou-se para mim e disse:
            - Obrigada por me acompanhares até à porta Sophia. – Sorriu
            Fiquei corada e por isso desviei o olhar… Assim não podia ser, não conseguia encará-lo… Mas que raio se passa comigo?!
            - Então até amanha na escola. – Disse dando-me um beijo na minha testa e virou-se caminhando para fora da ombreira da porta. Para além de estar corada e do meu coração agora estar a mil, quando me ia para virar oiço-o a chamar-me:
            - Ah Sophia! – Disse virando-se para mim a rir.
Virei-me para o olhar e esperei para ouvir o que ele tinha a dizer.
            - Adoro esse pijama. – Disse a rir e piscou-me o olho.
Fiquei corada, só não sei se foi pelo facto de ele ter reparado no que tinha vestido, ou pela maneira como o disse, ou seja ou estava corada de vergonha ou de raiva, e na minha opinião era uma mistura de tal.
Fechei a porta com força e voltei a sentar-me no sofá amuada, ainda repetindo na minha cabeça as suas últimas palavras.
            - Ele é muito giro sabes? – Disse a minha mãe a rir.
Não, não posso que ela tenha dito isso… Eu nem sequer lhe iria responder.
            - Não precisas de responder, eu sei que também o achas atraente Sophy, por isso é que muitas vezes ficas corada quando ele te cumprimenta ou fala contigo. – Disse sorrindo.
Virei-me para ela com a boca aberta, mas não consegui argumentar algo que era verdade, ou pelo menos que eu pensava que era. Mas interroguei-me como ela sabia que eu me envergonhava… E ao que parece ela percebeu…
            - Sou tua mãe filha, e conheço-te muito bem. – Disse voltando para a bancada da cozinha.
Olhei para a vovó e ela também parecia satisfeita com o que a minha mãe disse. Levantei-me do sofá e dirigi-me para o meu quarto para dormir. Entrei no quarto, tirei o robe e descalcei as pantufas metendo-me logo na cama. Comecei a pensar no motivo pelo qual ficava tão nervosa com o William por perto, mas ao pensar nisso, para além de não arranjar justificação também senti o meu coração a acelerar, como tal, deixei de pensar no assunto e adormeci…
O despertador tocou, eram agora 6:30 da manha. Estava frio, aliás muito frio. Custou-me muito a sair da cama, mas teria de ser, tinha aulas às 9 horas e como a faculdade ainda ficava a alguns minutos de carro teria mesmo de me levantar. Chegar atrasada não era uma opção.
Levantei-me e arrastei pesadamente os pés até à casa de banho. Lavei-me rapidamente e voltei para o quarto. Olhei pela janela do meu quarto e via que estava nevoeiro e bastante frio. Como tal vesti umas calças de ganga, uma camisola larga e fofinha branca e calcei as minhas botas pretas que meti por cima das calças, algo me dizia que iria chover. Desci para o andar de baixo e reparei que ninguém estava na cozinha. Talvez tivessem saído. – Pensei.
            Preparei o meu pequeno-almoço: comi uma sandes de manteiga com uma caneca de leite com chocolate. Sentei-me na cadeira e comecei a comer. Quando terminei pus a loiça na pia. Reparei nas horas e eram já 7:30, ou seja hora de sair.
Fui ao quarto buscar a mochila e depois peguei nos livros e pu-los lá dentro. Dirigi-me para a cozinha onde coloquei um pêssego dentro da mala. Fui buscar o meu casaco preto ao cabide e vesti-o. Coloquei a mochila às costas, peguei na chave do carro e saí de casa dirigindo-me para o carro.
            Estava muito nevoeiro. Não se conseguia ver nada na rua, mal conseguia ver o meu carro. Finalmente entrei para dentro do carro, coloquei a chave para o ligar e de repente, nada… Não aconteceu nada! O carro não queria ligar. Tentei de tudo, mas ele decidia não ligar.

Sai do carro e não sabia o que fazer… Se o carro não ligasse não poderia ir para a faculdade, e recusava-me a faltar… Estava quase à beira de chamar um táxi, apesar do preço exorbitante que pediam, quando vi umas luzes à distância…

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