É um dia de Outono normal, está frio, as
folhas das árvores caiem e só se vê promoções de natal na televisão, apesar de
ainda faltar mais ou menos dois meses para o natal. Passou-se três dias desde a
última vez que falei com o William ou que o vi na faculdade, mas não me
importava com esse facto.
A faculdade ia muito bem, estava sempre atenta e sempre que
chegava a casa, depois de ir ao estúdio, sentava-me na minha secretária a
estudar, suponho que a maioria das pessoas não se aplicavam tanto assim, devido
à vida social, mas eu como não a tinha podia vir a ser uma aluna dedicada e
excelente.
Estava a terminar
o último capítulo da história da dança que tinha-nos sido apresentado
anteontem. Estava sentada na mesa da cozinha, pois tinha mais espaço para
trabalhar e estava sozinha em
casa. Era domingo, a minha mãe e avó estavam na casa do
William a terminar uma divisão, penso que falaram na cozinha, mas não sabia
precisar, e como tal eu estava por aqui sozinha.
Não me importava assim tanto com o silêncio, conseguia até tirar
proveito dele, mas por vezes, sentia-me sozinha por não ter companhia muitas
vezes… A mãe trabalhava, mas agora estava de férias e a avó também trabalha
como decoradora de interiores e como tal, está sempre com a minha mãe. Por isso
fico muitas vezes sozinha, mas já me acostumei.
Continuei a ler o
último capítulo de Historia da Dança, cheguei ao fim e decidi começar a
escrever tudo o que tinha lido para o caderno da disciplina, fazendo assim uma
espécie de apontamentos. Fiquei empenhada nisso durante umas boas duas horas,
até que vi que eram horas de almoçar.
Levantei-me da cadeira e fui ao frigorífico. Por norma eu não
tinha que cozinhar, mas até sabia cozinhar bem, não tanto como a minha mãe ou
avó, mas isso era devido à falta de prática. Tirei um resto de tofu e cortei-o
finamente salteando-o na frigideira com azeite, sal, pimenta e cravinho. Pus o
tofu num prato com outro em cima para o manter quente e dirigi-me ao jardim das
traseiras.
Este era um
jardim pequeno, mas que continha uma horta que o meu pai arranjou à minha mãe.
Esta tinha batatas, cenouras, couves, tomates, beterrabas e outras nabiças
deliciosas. Tirei uma batata, umas folhas de couves, um tomate e uma cenoura.
Entrei de novo para a cozinha onde lavei os legumes e os cortei uniformemente.
Temperei uma frigideira com manteiga, sal e pimenta e saltei os legumes lá.
Retirei-os para o prato do tofu e por fim na mesma frigideira fiz um molho de
mostarda que juntei aos legumes e tofu.
Levei o prato para a mesinha à frente do sofá. Sentei-me e liguei
a televisão e vi enquanto almoçava. Pus no canal das notícias, e a primeira
notícia que deram foi que havia descontos no centro comercial da cidade –
pessoalmente não achei que fosse notícia decente – a segunda notícia foi o
alerta de que há um gang que está a assaltar pessoas da zona – ok, esta já era
mais interessante. Estava prestes a ouvir o resto da notícia quando o telefone
começa a tocar.
Apressei-me para
chegar ao telefone, apesar de não conhecer o número que me estava a ligar
atendi:
- Estou? –
Perguntei timidamente
- Sophia? –
Respondeu a voz do outro lado da linha – eu conhecia esta voz em qualquer lado,
era William.
- Sim. - Disse –
quem mais seria, pensei.
- Ah olha, estou
a ligar porque a tua mãe e a minha avó estão aqui e vamos almoçar todos juntos,
então estou a ligar para saberes se queres vir. – Perguntou e ouvi um risinho do
outro lado abafado.
Olhei para o meu prato de comida, parecia tão apetitoso e além
disso ainda não o tinha comido nada… E não me apetecia sair de casa para ir ter
com ele, seria demasiado constrangedor.
- Estás aí
Sophia? – Perguntou rindo
- Sim, e não. –
Respondi apressadamente
Ouvi um riso dele do outro lado, e fiquei irritada…
- Sim e não?! O
sim é para o quê? E o não é para o quê também? – Disse rindo.
- Como é lógico,
o sim é para o “estou aqui” e o não é porque não vou aí almoçar, comam vocês. Agora
vou comer. – Disse desligando o telefone.
Sei que
provavelmente foi rude, mas ele também me irritou… Detesto quando se riem de
mim… Em criança já era gozada o suficiente, mas não ia permitir que me gozassem
já com 19 anos de idade…
Sentei-me de novo a almoçar e quando terminei lavei a loiça e
arrumei todos os livros no meu quarto. Eram 14 horas, e como já tinha estudado
tudo e tinha até alguns trabalhos adiantados decidi aligeirar a tensão e ir
para o estúdio treinar. Fui buscar o meu saco ao armário e mesmo aí tirei umas
calças de fato de treino cinzentas, uma camisola de alças roxa e calcei os meus
ténis. Coloquei as minhas sapatinhas velhas de ballet na mala e desci. Apanhei
uma garrafa de água e uma pêra e coloquei na mala.
Saí de casa e
dirigi até ao estúdio. Entrei e fechei a porta. Coloquei o saco no banco e
comecei a alongar. Precisava de aquecer bem os músculos e por isso alonguei
durante uns 15 minutos. Quando já estava pronta descalcei-me e calcei as minhas
velhas sapatinhas de ballet, já eram muito velhinhas mas davam por agora. Não
sabia desde quando este interesse súbdito por ballet apareceu, talvez por causa
da história da dança, o ballet é referido muitas vezes…
Coloquei um CD de ballet e comecei a dançar… Dancei durante umas 4
horas seguidas, sem parar. Só parei quando os meus pés começaram a doer e por
isso sentei-me no chão e comecei a descalçar-me.
Comi a minha pêra
e bebi toda a água que tinha, eram agora umas 18 horas, segundo o relógio da
minha parede. Guardei tudo e sai do estúdio dirigindo-me de seguida para o
carro, pois já tinha anoitecido. Conduzi até chegar a casa, as luzes da sala e
cozinha estavam acesas, dava para ver cá de fora.
Saí do carro e entrei dentro de casa. Estava a fechar a porta e
ouvi atrás de mim:
- Bem-vinda a
casa Sophia! – Disse William
Virei-me subitamente encostando-me logo à porta, fiquei mesmo
assustada, ainda pior quando o vi ali à minha frente, e eu ali toda suada e
assustada.
- Oh olá Sophy! –
Disse a vovó atrás de William. – Hoje o William vem jantar cá não é
maravilhoso?! – Disse a vovó a rir puxando o William com ela.
A minha mãe estava a preparar o jantar e só a vi a sorrir para
mim. Dirigi-me rapidamente lá para cima, assim que cheguei ao quarto tranquei a
porta atrás de mim…
Ok… respira
Sophy, respira… – disse para mim mesma – é só o William, e não há problema
nenhum. Agora, acalma-te e vai tomar banho e vestir-te. – Disse decidida.
Preparei um pijama, era um branco com uns botões na frente e com uma borda nas
calças muito engraçada. Preparei também o meu robe e a roupa interior. Agora
que tinha tudo pronto, espreitei pelo buraco da fechadura e vi que não estava
lá o William, então saí rapidamente e entrei na casa de banho trancando-a de
imediato.
Na casa de banho coloquei toda a roupa e
pantufas em cima da cómoda e entrei para a banheira. Lavei o cabelo duas vezes
e o corpo também, ainda tive tempo de fazer umas massagens. Enrolei-me na
toalha e sequei-me delicadamente. Vesti o meu pijama, de seguida coloquei o
robe e amarrei-o. Calcei as minhas pantufas e sequei o meu cabelo um pouco com
a toalha. Por fim, livrei-me dos nós e saí da casa de banho.
Senti um aroma a massada de legumes,
desci automaticamente as escadas e tive uma visão engraçada… estava a minha mãe
na cozinha a mexer o tacho e o William de avental posto a cortar coentros.
Ri-me e bem alto, tanto que todos olharam para mim.
- Quem foi netinha? – Perguntou a vovó
que tinha acabado de por a mesa e esta a sentar-se no sofá.
- Hum, nada. – Disse descendo e
sentando-me no meu canto do sofá.
Olhei para a televisão e ouvi a minha mãe a despachar o William
para fora da cozinha porque os convidados não cozinham. – Aí a minha mãe,
sempre tão prestável e atenciosa.
Vi o William a
dar a volta ao sofá e a passar pela avó. Deu-lhe um beijo na cabeça e pensei
que se fosse sentar ao seu lado, mas enganei-me e sentou-se mesmo ao meu lado.
Senti-me bastante desconfortável e puxei-me mais para o canto oposto a ele.
- Então Sophia
como vai a faculdade? – Perguntou gentilmente
Eu teria de responder, perante a família teria de ser muito
querida e ser paciente com ele, apesar de ele me fazer dar em doida por vezes…
- Hum… bem. –
Respondi olhando sempre para a TV.
Vi a minha mãe e a avó a afastarem-se e irem para a cozinha, não
sei o que elas estariam a tramar, coisa boa não seria, mas não dei muita
importância.
- Muito bem, fico
feliz por te estares a adaptar naquela faculdade. – Disse sorrindo.
- Sim suponho. –
Respondi com os olhos fixados na TV.
Ouvi os pratos a serem postos na mesa, logo estaria quase na hora
de irmos jantar, não saberia era quanto tempo demoraria, esperava que não fosse
muito tempo… Esperava eu.
- Então já
arranjaste colegas? – Perguntou num tom interessado
- Colegas? –
Perguntei, não sabia ao que ele estava a referir-se.
Ele sorriu e colocou uma madeixa do meu cabelo atrás da minha
orelha, e de seguida afastou-se de mim.
- Sim colegas,
amigos e assim. – Disse com um ar natural.
- Não, ainda não.
– Respondi ainda com o batimento cardíaco acelerado devido ao gesto da parte
dele.
- Ah que pena.
Bem eles é que perdem. – Disse a rir-se. Parecia algo satisfeito com isso.
A minha mãe aproximou-se de nós e disse:
- É, a minha
Sophy é uma menina muito especial e uma óptima companhia, quando decide falar.
– Disse a brincar – Agora levantem-se e vamos jantar.
Levantei-me cuidadosamente e logo de
seguida o William levanta-se e ficou a olhar para mim… Não percebi o motivo…
Desviei o olhar e segui para a mesa de jantar. Sentei-me na cadeira e esperei
por todos.
Servi-me de massada de legumes e comecei
a comer devagar, degustando cada garfada que levava à minha boca, felizmente
hoje, William não se sentou à minha frente, mas sim ao meu lado de frente para
a vovó. Era mais fácil eu tolerá-lo quando não conseguia olhar directamente para
ele
As conversas do jantar estavam sempre no
mesmo assunto: a casa de William. Ou quando mudavam de conversa era sobre
qualquer coisa do William. Continuei a comer e quando terminei fiquei mais
atenta às conversas:
- Will como vai o doutoramento? – Perguntou
a minha mãe enquanto servia café, pena que eu não goste.
- Bem Senhora Lisa está a ser bastante
interessante. Gosto particularmente da parte prática. – Respondeu enquanto
engolia um pouco de café.
- Parte prática? O que é isso neto? –
Perguntou a Graça curiosa.
O William pousou a chávena e olhou para mim, depois voltou-se para
a avó e disse:
- Avó a parte
prática é quando eu vou para um consultório dar consultas e depois elaboro um
relatório sobre essa parte. – Respondeu
A avó fez uma cara engraçada, ela fingiu que percebeu mas mesmo
assim dizia que “sim” com a cabeça enquanto bebia o resto do café.
- Mas tens aulas
na faculdade certo? – Perguntou a minha mãe.
- Claro Dona
Lisa, tenho aulas como qualquer outro estudante. – Disse a sorrir. O sorriso
dele era maravilhoso… transmitia muita confiança e um grande à vontade… Quem me
dera poder ser assim…
- Então vês
certamente algumas vezes a minha filha. – Disse a minha mãe. Olhei para ela com
ar de descontentamento, mas não adiantou.
- Evidentemente,
já estive com a Sophia uma vez. Ajudei-a a encontrar a sala e almoçamos juntos.
– Disse olhando para mim com um sorriso. Naquele momento corei, queria
esconder-me dos olhares de surpresa da minha mãe.
- Não me digas, a
serio que a minha filha concordou almoçar contigo? – Perguntou a minha mãe
desconfiada.
- Claro. – Disse
com um sorriso nos lábios – Mas porque pergunta? – Perguntou intrigado mas com
um sorriso matreiro.
A minha mãe calou-se um pouco, olhou para mim e depois respondeu.
- Bem, a minha
filha nunca foi muito social. Nunca saiu assim como disseste William, para
almoçar com ninguém. Fiquei apenas desconfiada, mas já que é verdade fico
bastante feliz por a minha filha ter encontrado um amigo. – Disse com um
sorriso nos lábios.
O William ficou a
olhar para mim, parecia algo satisfeito… Incapaz de o olhar fui levantar a
mesa, mas fui logo repreendida…
- Nem penses
Sophy, então vais deixar ali o Will sozinho no sofá? – Perguntou chateada
obrigando-me a olhar para William, que agora estava com um sorriso nos lábios
sentado no sofá.
- Ok mãe… –
Respondi e sentei-me contrariada ao lado de William no sofá. Sentei-me amuada e
fiz beicinho.
Senti o William a rir-se e baixou-se para olhar para os meus
olhos, consegui ver os olhos dele, mas desta vez não ia deixar eles me
afectarem.
- Oh não faz
beicinho Sophia. – Disse mexendo-me com o dedo no meu lábio inferior.
Ruborizei e automaticamente deixei de
fazer beicinho e virei a cara para o outro lado, o toque dele queimava e agora
não conseguia olhar para ele, principalmente com a noção que ele iria ver as
minhas bochechas coradas. Só esperava que ele não insistisse para que eu
olhasse para ele.
Aguardei um pouco e decidi olhar por entre os meus cabelos para
ele, mas já não se encontrava ao meu lado. Olhei para trás e estava a
despedir-se da minha mãe e avó. Levantei-me e dirigi-me até eles.
- Obrigada pelo jantar dona Lisa, estava
maravilhoso! – Disse despedindo-se da minha mãe.
- Ah de nada Will, é sempre um prazer
ter-te por cá, podes aparecer mais vezes! – Sorriu a minha mãe.
O William sorriu e automaticamente respondeu:
- Seria um
prazer. – Disse a sorrir.
Depois virou-se para a avó e abraçou-a dizendo-lhe algo ao ouvido
que deixou a avó bastante feliz, pois ela sorriu bastante contente.
- Então vai lá
Will, adorei ver-te mais uma vez. – Disse a vovó.
- Ok avó,
cuide-se sim? – Disse o William agora virando-se para mim. Este parou a alguns
metros de mim e sorriu.
- Bem, então até
amanha Sophia. Adorei a companhia mais uma vez. – Disse dando um beijinho na
minha bochecha.
Parei automaticamente, fiquei
completamente paralisada. Não me consegui mexer, só ouvia o meu coração a mil e
a minha bochecha esquerda a arder… Nem conseguia ouvir o que me diziam…
- Sophy não levas o Will até à porta? –
Perguntou a minha mãe enquanto se dirigia para o balcão da cozinha.
- Hã? – Perguntei. – Não tinha prestado
atenção nenhuma, estava à deriva sem saber o que fazer.
- Vais acompanhar o Will à porta ou não?
– Disse a minha mãe impaciente.
- Hum… Sim. – Disse dirigindo-me para a
porta com o William.
Abri-lhe a porta e ele saiu, virou-se para mim e disse:
- Obrigada por me
acompanhares até à porta Sophia. – Sorriu
Fiquei corada e
por isso desviei o olhar… Assim não podia ser, não conseguia encará-lo… Mas que
raio se passa comigo?!
- Então até
amanha na escola. – Disse dando-me um beijo na minha testa e virou-se
caminhando para fora da ombreira da porta. Para além de estar corada e do meu
coração agora estar a mil, quando me ia para virar oiço-o a chamar-me:
- Ah Sophia! –
Disse virando-se para mim a rir.
Virei-me para o olhar e esperei para ouvir o que ele tinha a
dizer.
- Adoro esse
pijama. – Disse a rir e piscou-me o olho.
Fiquei corada, só não sei se foi pelo facto
de ele ter reparado no que tinha vestido, ou pela maneira como o disse, ou seja
ou estava corada de vergonha ou de raiva, e na minha opinião era uma mistura de
tal.
Fechei a porta com força e voltei a sentar-me no sofá amuada,
ainda repetindo na minha cabeça as suas últimas palavras.
- Ele é muito
giro sabes? – Disse a minha mãe a rir.
Não, não posso que ela tenha dito isso… Eu nem sequer lhe iria
responder.
- Não precisas de
responder, eu sei que também o achas atraente Sophy, por isso é que muitas
vezes ficas corada quando ele te cumprimenta ou fala contigo. – Disse sorrindo.
Virei-me para ela com a boca aberta, mas não consegui argumentar
algo que era verdade, ou pelo menos que eu pensava que era. Mas interroguei-me
como ela sabia que eu me envergonhava… E ao que parece ela percebeu…
- Sou tua mãe
filha, e conheço-te muito bem. – Disse voltando para a bancada da cozinha.
Olhei para a vovó e ela também parecia
satisfeita com o que a minha mãe disse. Levantei-me do sofá e dirigi-me para o
meu quarto para dormir. Entrei no quarto, tirei o robe e descalcei as pantufas
metendo-me logo na cama. Comecei a pensar no motivo pelo qual ficava tão
nervosa com o William por perto, mas ao pensar nisso, para além de não arranjar
justificação também senti o meu coração a acelerar, como tal, deixei de pensar
no assunto e adormeci…
O despertador tocou, eram agora 6:30 da
manha. Estava frio, aliás muito frio. Custou-me muito a sair da cama, mas teria
de ser, tinha aulas às 9 horas e como a faculdade ainda ficava a alguns minutos
de carro teria mesmo de me levantar. Chegar atrasada não era uma opção.
Levantei-me e arrastei pesadamente os pés até à casa de banho.
Lavei-me rapidamente e voltei para o quarto. Olhei pela janela do meu quarto e
via que estava nevoeiro e bastante frio. Como tal vesti umas calças de ganga,
uma camisola larga e fofinha branca e calcei as minhas botas pretas que meti
por cima das calças, algo me dizia que iria chover. Desci para o andar de baixo
e reparei que ninguém estava na cozinha. Talvez tivessem saído. – Pensei.
Preparei o meu
pequeno-almoço: comi uma sandes de manteiga com uma caneca de leite com
chocolate. Sentei-me na cadeira e comecei a comer. Quando terminei pus a loiça
na pia. Reparei nas horas e eram já 7:30, ou seja hora de sair.
Fui ao quarto buscar a mochila e depois peguei nos livros e pu-los
lá dentro. Dirigi-me para a cozinha onde coloquei um pêssego dentro da mala.
Fui buscar o meu casaco preto ao cabide e vesti-o. Coloquei a mochila às
costas, peguei na chave do carro e saí de casa dirigindo-me para o carro.
Estava muito
nevoeiro. Não se conseguia ver nada na rua, mal conseguia ver o meu carro.
Finalmente entrei para dentro do carro, coloquei a chave para o ligar e de
repente, nada… Não aconteceu nada! O carro não queria ligar. Tentei de tudo,
mas ele decidia não ligar.
Sai do carro e não sabia o que fazer… Se o carro não ligasse não
poderia ir para a faculdade, e recusava-me a faltar… Estava quase à beira de
chamar um táxi, apesar do preço exorbitante que pediam, quando vi umas luzes à
distância…
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